Gol

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Homilia Diária

10MAI2017

A direção de que a nossa vida precisa é sobriedade, temperança e calma

“Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (João 12,45).

Andamos em meio às trevas e à escuridão do mundo, e essas trevas e escuridão que estão no mundo vêm para dentro do nosso coração. Nossa alma e nosso coração encontram-se num verdadeiro abismo, andamos perdidos, desnorteados, sem saber para onde vamos e aonde vamos parar.

Jesus está nos dizendo que veio a este mundo como luz e para ser luz. Fico pensando: "Se tudo aqui se apagasse, ficasse escuro, você poderia até ouvir minha voz, mas ficaria perdido: 'Onde ele está?'. Eu estaria perdido até para dirigir-me a você, aliás, eu nem poderia gravar, porque não veria a câmera na minha frente, porque faltaria a luz [diz o padre referindo-se ao vídeo].

A luz tudo clareia, ilumina, dá firmeza, direção, proximidade e certeza. A escuridão nos leva a nos machucarmos, a tropeçarmos e cairmos; ela nos leva aos abismos e tropeços da vida, para a escuridão eterna.

Precisamos viver e caminhar na luz. Por isso, quando olho para Jesus, vou até Ele buscar a luz de que eu preciso para tantas coisas que, dentro de mim, estão obscuras, caminhos que não entendo, situações que eu não sei resolver, estradas que eu não sei por onde caminhar, que direção tomar.

A primeira coisa: recolha-se na sobriedade do Espírito. Não encontramos luz quando tudo está muito agitado, acalorado e efervescente. A luz de Deus traz calma e sobriedade para o Espírito. No entanto, não fiquemos só no comparativo, tragamos isso para a vida prática. A luz de Deus é direção para nossa vida, e a direção de que a nossa vida precisa é sobriedade, temperança e calma.

A calma nos faz fugir, muitas vezes, desse modo agitado que nos faz resolver tantas coisas. E quando fazemos tudo de forma agitada e brusca, quando nos atropelamos, é porque falta a luz, que é Jesus, uma luz que traz serenidade à nossa alma e ao nosso coração.

Quem crê em Jesus não permanece nas trevas, não permanece nas dúvidas nem na escuridão. Até podemos passar por caminhos escuros, caminhar nas dúvidas e incertezas da vida, mas não permanecermos nelas, porque a luz de Jesus vai iluminando o nosso caminhar e dando direção à vida.

Não posso querer viver em Jesus e caminhar em meio às falsas luzes que o mundo nos dá, mas quando eu permito que Jesus seja luz para minha vida, Ele me aponta o caminho e a direção que devo seguir!

Deus abençoe você!

terça-feira, 9 de maio de 2017

Homilia Diária

09MAI2017

Seja único no coração de Deus, assuma o lugar que é seu

“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão” (João 10,27-28).

As ovelhas de Jesus conhecem-No, conhecem a Sua voz. Elas podem até se perder, ferir-se, extraviar-se nos caminhos das estradas da vida, mas elas sabem onde está o seu Pastor.

Há uma sensibilidade de quem conhece o seu dono. As ovelhas se misturam no meio do caminho com outras ovelhas, todas juntas. Às vezes, o pastor está procurando suas ovelhas, mas estas, que têm ligação com seu pastor, correm para junto dele para ficarem próximas e serem cuidadas por ele. É uma alegria para a ovelha quando está no meio de tantas outras, mas sabe quem é o seu pastor!

Não nos deixemos iludir, enganar nem nos perder diante de tantas circunstâncias da vida. Não nos deixemos perder diante de tantos falsos pastores que há no mundo em que vivemos, pois para nós só há um Pastor: Jesus!

Quando a ovelha não cultiva a intimidade com seu pastor, quando não cria um elo com ele, não o reconhece. Ela fica perdida, confunde seu pastor e tantos outros que há no mundo.

Podemos nos enganar, iludirmo-nos muito, porque não cultivamos a intimidade com o nosso Pastor, porém Ele quer ser próximo de nós, está dando a Sua vida por nós, e quer que participemos inteiramente da vida d'Ele. Ele não cuida de nós apenas como cuida de todas as ovelhas, mas de cada uma de forma única, particular e singular. Temos de ter a nossa relação pessoal com Jesus, precisamos ser próximos d'Ele de forma singular.

Podemos ser mais um na multidão, mas Jesus não quer que sejamos mais um. Ele quer que nós O vejamos como Ele está nos vendo, como únicos, de forma pessoal. É dessa forma que precisamos nos voltar para Ele.

Eu sei que, muitas vezes, estou orando junto da multidão, mas me coloco diante d’Ele como pessoa, como indivíduo único e singular. Como ovelha, tenho minhas necessidades, meus sofrimentos, dramas e minhas alegrias, mas sei que sou único para Ele, assim como Ele se faz único para mim.

Seja único no coração de Deus, seja único no redil de Jesus, assuma o lugar que é seu! Aqui não é individualismo, egoísmo, orgulho, soberba ou pretensão de ser melhor que alguém. É ser aquilo que eu sou no coração de Deus. E se no coração do Senhor eu sou único, particular, preciso, de forma muito singular, dirigir-me a Ele e estar no coração d’Ele.

Deus abençoe você!

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Homilia Diária

08MAI2017

Precisamos nos submeter aos cuidados de Jesus, nosso Bom Pastor

“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas” (João 10,11).

Jesus não é só um pastor, Ele é o Bom Pastor! O adjetivo que qualifica o nosso Mestre é o fato d’Ele ser bom naquilo que é e faz. Não é o "bom" da bondade, da generosidade, mas o bom naquilo que realmente faz, com excelência, aquilo que realiza e propõe-se a ser. O nosso Pastor dá Sua vida e tudo de si para cuidar e amar Suas ovelhas.

Primeiro, Jesus ama e se preocupa com Suas ovelhas. Elas são tudo para Ele, de modo que faz o possível para cuidar de cada uma delas. O zelo de Jesus, a Sua preocupação, Seu tempo e aquilo que Ele faz é função das Suas ovelhas. Olhemos as inúmeras passagens do Evangelho em que Ele é movido de amor, compaixão e ternura, sobretudo, para com as ovelhas mais feridas e machucadas do seu redil e rebanho.

Muitas vezes, encontramo-nos feridos e maltratados pelas estradas, pelos caminhos da vida, pelos lobos ferozes que estão nas estradas do mundo, onde estamos vivendo. E o Bom Pastor cuida de nossas feridas, de todos os nossos sentimentos maltratados. Precisamos nos submeter aos cuidados de Jesus, nosso Bom Pastor!

O Bom Pastor não cuida somente das boas ovelhas, mas de todas elas. Uma boa ovelha é aquela que se submete e deixa o pastor cuidar dela, porque há ovelhas que fogem, que se escondem e não querem ouvir a voz do pastor; são muito orgulhosas, autossuficientes e se dão por si mesmas. Porém, o pastor não deixa de as amar, não deixa de querer o bem delas. Ele respeita, chora e sofre por elas, deseja pegar cada uma no colo, cuidar, tratar das feridas com amor, ternura e misericórdia divina, para que ela não se machuque nem morra nas estradas perigosas do mundo em que vivemos.

Deixemos que Jesus, o Bom Pastor que cuida de cada uma de Suas ovelhas, cuide de nós com todo amor, ternura e delicadeza do Seu coração!

Deus abençoe você!

domingo, 7 de maio de 2017

Homilia Diária

07MAI2017

Para entrarmos na vida em Deus, precisamos passar por Jesus

“Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas” (João 10,8).

Celebramos, neste domingo, o Bom Pastor. Olhamos para Jesus como Aquele que ama e conduz Suas ovelhas, dá Sua vida por causa delas. Jesus faz outra comparação: está dizendo que Ele é a porta por onde as ovelhas entram.

Jesus não é somente o Pastor que espera as ovelhas entrarem, Ele é a porta por onde as ovelhas devem entrar! Para entrarmos numa casa, numa igreja, num edifício é preciso passar pela porta e adentrar onde queremos chegar, mas, se esta estiver fechada e não se abrir, é um sinal de que não podemos entrar. Por que não podemos ter acesso àquele lugar? A porta fechada é sinal de que as coisas se fecharam para nós, mas, quando aberta, quer dizer que ali podemos entrar. Jesus é aquele que abre a porta do Céu para nós, Ele é a própria porta. Para entrarmos na vida em Deus, precisamos passar por Jesus.

É para Cristo que nós devemos olhar, devemos buscá-Lo, e nenhum outro pode nos abrir as portas do Céu, a não ser o próprio Jesus.

Somos ovelhas e, muitas vezes, ferimo-nos, machucamo-nos, iludimo-nos, enganamo-nos diante de tantas estradas da vida, opções erradas, pessoas que parecem ser salvadoras e solução para a nossa vida. Em nenhum outro encontramos luz, salvação e redenção, a não ser em Jesus Nosso Salvador!

Não entremos pelas portas erradas da vida, pois há muitas portas escancaradas, abertas, que não nos levam para o caminho da vida. São portas que nos levam para abismos profundos, que nos fazem errar o caminho, a estrada onde devemos andar.

Não entremos por outra porta, não andemos por outro caminho, a não ser o caminho de Cristo Jesus. Não entremos por outra segmentação que não seja aquela que nos conduz à vida, pois quem nos conduz é o próprio Jesus.

Deus abençoe você!

sábado, 6 de maio de 2017

Homilia Diária

06MAI2017

Precisamos acolher a Palavra, permitir que ela entre em nosso coração e quebre toda dureza e resistência

“Simão Pedro respondeu: ‘A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus’” (João 6,68-69).

As palavras de Jesus a respeito do pão da vida pareceram duras demais para Seus discípulos e seguidores. As palavras de Jesus, dirigidas a nossa vida, quando nos incomodam, quando batem em pontos duros da nossa própria vida, tornam-se, de fato, palavras duras para a nossa compreensão, para a nossa vida e reflexão.

A Palavra de Deus tem essa finalidade de quebrar o que está duro, de partir o nosso coração àquilo que está fechado. Agora, se eu coloco resistência, se não quero nem me submeto à Palavra de Deus, esta realmente será muito dura, e eu vou preferir deixá-la de lado, vou preferir ignorá-la do que lutar para colocá-la em prática na minha vida.

Deixe-me dizer a você: por mais duras que sejam as palavras de Deus, não as ignore, porque Suas palavras são vida, sobretudo, vida eterna. São palavras que nos libertam da escravidão da morte, da condenação para nos conduzir na eternidade.

Precisamos acolher a Palavra, permitir que ela entre em nosso coração e quebre toda a dureza e resistência que há dentro de nós e do nosso coração. A partir daquele momento, muitos resolveram abandonar Jesus e não O seguiram mais, não deram mais crédito a Sua palavra.

Gostamos das coisas de Deus, de servi-Lo e segui-Lo quando fazemos o que queremos, quando Suas palavras são doces ao nosso paladar. Quando ela vem ao encontro do nosso coração para quebrar, desmantelar muita coisa que não está correta, desistimos, abandonamos o poder da Sua Palavra.

Sejamos seguidores de Jesus, por mais duro que seja, sobretudo, porque precisamos quebrar tanta coisa dura e resistente que há dentro de nós com a força e o querer da Palavra de Deus.

Não abandonemos Jesus, não deixemos de segui-Lo por causa de muitas coisas em nós que estão difíceis de mudar. Ele tem o poder de transformar a nossa vida! Somente Ele têm palavras para nos transformar, salvar e renovar!

Deus abençoe você!

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Homilia Diária

05MAI2017

Jesus está nos dando a Sua própria Carne e Seu Sangue, para que nossa vida, num todo, seja resgatada e vivida n'Ele

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6,54).

O Mestre Jesus está nos conduzindo para termos a vida n’Ele, porque Ele é a nossa vida. Como teremos, no entanto, a vida em Jesus? Comendo a Sua Carne e bebendo o Seu Sangue. A Carne e o Sangue representam a totalidade da pessoa humana, e aqui estamos falando da pessoa de Jesus.

Cristo quer que sejamos íntimos e próximos d'Ele, quer que tenhamos a vida n’Ele. O Senhor nos chama a participarmos da Sua natureza mais íntima, dá-nos Sua própria Carne e Seu Sangue, para que a nossa carne, nosso sangue e nossa vida, num todo, seja resgatada e vivida n'Ele.

A primeira coisa necessária é: reconhecer essa dádiva de Deus, esse presente do Céu, essa maravilha que Ele nos dá, que é a vida n’Ele.

Sabe irmãos, Jesus não nos dá somente conhecimento, instruções e modos de viver, Ele nos chama a vivermos a vida n’Ele. É algo extraordinário e maravilhoso levar a vida em Deus. Para que isso aconteça, é preciso entender que a comunhão com a Carne e o Sangue de Jesus tem comunhão com os pensamentos, com o sentimentos, com a vida que Jesus teve e trouxe a cada um de nós.

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna”. É algo maravilhoso de meditar e contemplar! Não se trata de vida eterna “quando eu morrer, estarei com Jesus”, mas a vida que começa aqui! É uma vida única, a continuidade que não tem fim. Eu começo a viver a vida em Deus agora, e viverei para sempre com Ele no Céu.

Não espere morrer para começar a viver a eternidade; ela começa agora, no meio de nós. Quando vivemos a vida em Jesus, quando nossa vida está mergulhada em Deus, quando estamos imersos no Sangue do Senhor, na vida e no Corpo d’Ele, no Seu Sangue, a vida d'Ele resplandece em nós.

Vivamos a eternidade aqui e agora, façamos do lugar que vivemos, das coisas que fazemos, da vida que levamos a vida em Deus. É Ele quem nos dá o dom do Céu, e ter esse dom é estar mergulhado no Corpo e Sangue de Jesus.

Deus abençoe você!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Homilia Diária

04MAI2017

Quando ensinamos as Sagradas Escrituras para uma pessoa, na verdade, queremos levá-la a estar aos pés de Jesus

“O eunuco respondeu: ‘Como posso conhecer, se ninguém o explica?’” (At 8,31).

Uma das passagens mais belas dos Atos dos Apóstolos é a que estamos lendo hoje, do eunuco etíope, ministro da rainha da Etiópia. Esse eunuco conhecia, lia as Sagradas Escrituras, mas tinha sede de compreender, de saber ao que elas se referiam. Ele via, nas Sagradas Escrituras, um tesouro para sua vida, por isso Filipe vai ao seu encontro, enviado por Deus, porque Ele sabe onde estão os corações sedentos e abertos para a Sua Palavra.

Deus manda Sua Palavra para muitas pessoas que têm sede d'Ele, mas precisam de ajuda para compreender e chegar até Ele. Quando Filipe chega ao ministro da Etiópia e pergunta se ele compreendeu a Escritura que estava lendo, sua resposta é clássica: “Como eu posso compreender, se não há quem me explique?”.

Meus irmãos e irmãs, muitas pessoas precisam que nós expliquemos as Escrituras para elas. E o que é explicar as Escrituras? É ensinar. Você se recorda que a missão de Jesus, no meio de nós, era mais do que somente pregar a Palavra, mas a ensinar?

Ensinar é como se ensina numa escola, em casa. É sentar-se do lado, ter paciência, pedagogia e capacidade de dizer: "Deus quer nos ensinar isso com a Sua Palavra". É uma das tarefas mais nobres e importantes para a evangelização: a tarefa de ensinarmos uns aos outros a vivermos a Palavra de Deus com simplicidade. Não precisa ser um grande conhecedor, um sábio, um teólogo. Cada um tem sua missão, sua função, mas todos nós, com humildade e abertura ao dom do Espírito Santo, podemos ensinar uns aos outros a viver a Palavra de Deus.

A primeira coisa: submissão ao Espírito Santo. É preciso deixar que Ele nos ilumine e nos conduza, leve-nos às pessoas que precisam compreender a Palavra de Deus. A segunda coisa:submissão a pessoa de Jesus. As Escrituras, do início ao fim, querem nos mostrar quem é Jesus. Às vezes, queremos ficar em situações periféricas da Palavra de Deus, discussões que não levam a nada a respeito da Palavra. Não é isso! É ensinar que a Palavra nos conduz a Jesus.

Quando ensinamos as Sagradas Escrituras para uma pessoa, na verdade, queremos levá-la a estar aos pés de Jesus, para que elas O conheçam como Senhor e Salvador, porque Ele é o Mestre, Ele nos forma e ensina. Deste modo, ensinar alguém é levá-lo para estar aos pés de Jesus.

Quando o ministro viu aquilo que Filipe ensinava de forma pedagógica, como os instruiu sobre as Sagradas Escrituras, começou a falar de acordo com as Sagradas Escrituras e anunciou ao eunuco quem era Jesus. Então, o eunuco abriu-se à graça do Espírito.

As pessoas se abrem à graça do Espírito quando não falamos de nós, mas anunciamos e proclamamos Jesus, mostramos que Ele é o Senhor, o caminho, a verdade, a vida e a salvação para a nossa própria vida.

Irmãos e irmãs, não deixemos, de forma nenhuma, de ensinar, educar e mostrar para os nossos e ao mundo que a salvação está em Jesus.

Deus abençoe você!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Homilia Diária

03MAI2017

Mergulhemos em Deus, nas Suas obras; mergulhemos nas ações de Jesus para reconhecermos aquilo que o Pai quer nos revelar

“Disse Filipe: ‘Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!’”(João 14,8).

Hoje, celebramos os apóstolos São Filipe e São Tiago. Tiago é irmão do apóstolo João, os dois são filhos de Zebedeu e são seguidores de Cristo. Filipe é natural de Btezaida, na Galileia. Era um discípulo muito afoito e ansioso de que as coisas logo acontecessem. Ele não tinha muita paciência de esperar e queria logo saber como seria. “Senhor, mostra-nos o Pai. O senhor fala tanto d'Ele, mostra-nos e já basta”. É como aquelas pessoas que não querem submeter-se à pedagogia do tempo, da espera e querem as coisas prontas e imediatistas.

Olhando para esse jeito afoito e imediatista de Filipe, queremos refletir nossas ações no tempo em que vivemos, porque o tempo em que vivemos é, justamente, o tempo das coisas imediatas, rápidas, onde as pessoas não refletem o caminho, a escolha e o próprio caminhar da vida!

Quando fazemos as coisas sem refletir, sem meditar nem esperar, corremos sérios riscos de sermos precipitados. Não é preciso dizer as consequências da precipitação em nossa vida. Estamos nos atropelando, estamos machucando nós e os outros, sobretudo, submetendo o nosso coração à onda da ansiedade. Ansiedade em querer que as coisas sejam feitas logo, de qualquer maneira e assim por diante.

É verdade que não podemos ficar postergando, deixar que o tempo resolva as coisas. Precisamos ter diligência para viver cada coisa a seu tempo, mas precisamos também ter a paciência necessária para entendermos a progressão do tempo e das coisas, para não sermos premeditados e agonizados naquilo que fazemos.

Queremos ver o Pai! Jesus veio para nos mostrar o Pai, mas como iremos compreendê-Lo? Não é simplesmente Jesus dizer: "O Pai está aqui!". Gostamos das coisas prontas, mas precisamos submeter o nosso coração à sabedoria divina, à pedagogia de Deus.

Conheceremos o Pai, não de forma única, porque Ele se manifesta através da criação, das obras que Jesus nos mostra. Enfim, o Pai está entre nós e não O conhecemos, porque queremos uma referência direta d'Ele, e não estamos contemplando a Sua ação presente e viva no meio de nós.

O Pai está no meio de nós diante de tantas coisas maravilhosas, está diante de nós, sobretudo, na pessoa de Jesus. “Há tanto tempo estou convosco Filipe, e vós não me conheceis!”. Há quanto tempo Jesus está entre nós, Ele faz parte da nossa vida, mas não O conhecemos. Há quanto tempo as pessoas estão conosco e não as conhecemos!

Não prestamos atenção no essencial. Muitas vezes, temos um relacionamento superficial uns com os outros e com Deus também. Por causa da nossa superficialidade, misturada com nosso jeito imediatista de querer ver as coisas, não vamos para o essencial.

Queremos conhecer Deus, mergulhar n’Ele, por isso deixaremos de ser precipitados e ansiosos. Na calma, na sobriedade do espírito, mergulhemos em Deus, nas obras e ações de Jesus, para reconhecermos aquilo que o Pai quer nos revelar.

Deus abençoe você!

terça-feira, 2 de maio de 2017

Homilia Diária

02MAI2017

Se quisermos viver o perdão de Deus, peçamos o dom de perdoar

Homens de cabeça dura, insensíveis e incircuncisos de coração e ouvido! Vós sempre resististes ao Espírito Santo e como vossos pais agiram, assim fazeis vós!” (At 7, 51).

Estamos acompanhando os últimos momentos da vida de Estêvão. Ele é para nós modelo, homem de fé, justo e cheio do Espírito Santo. Ele contagiava todos ao seu lado pela unção e submissão à vontade de Deus, pela pregação da Palavra e submissão ao Espírito Santo.

Por esse motivo, Estêvão foi perseguido, levado à morte e, mesmo diante dos seus algozes, não deixou a audácia evangélica, não deixou de anunciar àqueles homens, para que se abrissem à verdade do Evangelho, porque estavam com o coração fechado, estavam com os ouvidos tapados para não ouvir a Palavra do Senhor.

Sabe, a insensibilidade do coração e a dureza de cabeça nos fecha para conhecermos a verdade. Muitas vezes, deixamos os nossos ouvidos tapados. Mas o que significa ter os ouvidos tapados? Não é a incapacidade de não escutar, porque você escuta os sons, as palavras, mas elas não entram no coração. Essas palavras têm que cair em seu coração, de modo a provocar uma reflexão, uma meditação: "Será que essa Palavra não é para mim? Não quer dizer algo ao meu coração?".

Temos de pedir sempre a Deus a graça de nos dar a sensibilidade para com Sua Palavra, para aquilo que Ele quer nos dizer, porque estamos sempre preocupados com o que Ele quer dizer ao outro ou ao que precisamos falar aos outros, mas nos fechamos àquilo que Ele quer falar a nós e ficamos insensibilizados para Sua Palavra. 

A morte de Estêvão tenta sensibilizar aqueles corações que, de forma nenhuma, quiseram se abrir para ouvir a Palavra.

Uma outra coisa que aprendemos com a morte de Estêvão é que ele morreu como viveu, ou seja, passou a vida entregando-se a Deus e, na sua morte, também se entregou completamente ao Senhor. Ele não experimentou a agonia da morte, mas sim a alegria e o dom da entrega a Deus.

Quando passamos a vida nos entregando a Deus, não paramos nas durezas, nas dificuldades, percepções e apedrejamentos que recebemos ao longo do caminho, porque quem se entrega, entrega-se para valer! E numa vida entregue não paramos na dureza do caminho.

Estêvão morreu perdoando,viveu a vida sem parar no ressentimento, no rancor e nos perseguidores. Ele está dizendo: "Pai, não leve em conta os pecados que esses homens estão cometendo contra mim”. Jesus morreu na cruz perdoando seus algozes, porque viveu uma vida inteira cercada pelo perdão.

Se quisermos viver o perdão de Deus, peçamos o dom de perdoar a quem nos persegue, a quem não nos ama, não nos quer bem, mas nos faz mal.

Viveremos e morreremos na paz se fizermos do perdão o grande dom da nossa vida!

Deus abençoe você!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Homilia Diária

01MAI2017

Contemos com a intercessão de São José, para que o nosso trabalho edifique o mundo

“Não é ele o filho do carpinteiro?” (Mateus 13, 55).

Com muita alegria celebramos, hoje, no primeiro dia do mês de maio, São José Operário. O pai de Jesus é carpinteiro, trabalhador, operário. Por isso, no mundo inteiro, quando celebramos o Dia do Trabalho, temos um modelo, um referencial, que é José trabalhador!

O trabalho edifica, enobrece e dá ao homem mais dignidade. A dignidade humana é enaltecida na capacidade de trabalhar. O primeiro modelo, o referencial de trabalho que temos é o próprio Deus.

Na Primeira Leitura da Missa de hoje, segundo Gênesis, acompanhamos o Pai trabalhador, que criou todas as coisas com muito amor e ternura. Deus estava fazendo a obra da criação. Quando andamos pelos lugares, pela natureza, podemos contemplar a perfeição da Sua criação!

Hoje, queremos nos espelhar em Deus nosso Pai. Jesus vai nos recordar no Seu Evangelho: “O meu pai trabalha e eu trabalho também”. O Pai é trabalhador, o Filho trabalhou durante toda a sua vida aqui na Terra, e teve como modelo de trabalho manual Seu pai José, que era um carpinteiro. Jesus, ainda menino, trabalhou com Seu pai na carpintaria.

Não posso imaginar ninguém sem trabalhar, não posso imaginar ninguém sem se empenhar em usar os dons e talentos para construir, edificar e fazer com que o mundo seja melhor. É nossa contribuição que damos ao mundo. Ao trabalharmos, estamos edificando, transformando o mundo e a sociedade. Por isso, todo trabalho feito com dignidade é abençoado por Deus. É o meio de nos santificarmos e santificar o mundo com aquilo que fazemos.

Enfrentamos, muitas vezes, realidades muito duras no mundo do trabalho. Penso que a principal seja o desemprego. Milhões de filhos de Deus, por esse mundo afora, estão desempregados, não conseguem um trabalho digno para custear a sua casa, sua família e seus filhos.

Isso é uma agressão ao próprio Deus, à natureza humana. Por isso, as nossas preces de hoje se voltam também para tantos trabalhadores que precisam trabalhar, mas não têm essa graça, também pelas oportunidades de trabalho e assim por diante.

O que não podemos, de forma nenhuma, é ficarmos desocupados. Não podemos nos entregar ao desalento, ao desânimo, porque não temos esse ou aquele trabalho. Trabalhando em casa, na rua, na igreja ou em qualquer lugar, precisamos colocar para fora os dons que temos! Porque faz mal à natureza humana, à capacidade humana ficarmos inertes, paralisados, virarmos parasitas e não trabalharmos.

Deus abençoe você, irmão e irmã, que coloca a mão na massa, você que tem multiplicado os dons e os talentos que Deus lhe deu para o trabalho. Deus abençoe os trabalhadores do mundo inteiro. Que tenham, hoje, em São José, uma inspiração, um incentivo. Contemos com a intercessão dele para que o nosso trabalho edifique o mundo, santifique-nos e santifique todos que estão ao nosso lado.

Deus abençoe você!