Gol

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Homilia Diária

09NOV2018

Que Deus nos dê um espírito zeloso para cuidarmos da casa do Senhor para que ela seja o lugar do nosso encontro com Ele 

“E disse aos que vendiam pombas: ‘Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!’” (João 2,16).

Os vendedores, os cambistas, os negociantes aproveitaram a grandeza daquele templo, a afluência de pessoas para fazerem os seus negócios, suas negociatas, seus comércios.

A casa de Deus não é casa de bagunça, não é casa de comércio e nem casas de negociatas. A casa de Deus é a casa de oração, é o lugar do homem, da mulher, de todos nós para nos encontrarmos com Deus. É preciso que o templo, a Igreja, seja o lugar do encontro com Deus.

Hoje, celebramos a dedicação da Basílica de São João de Latrão, é a catedral de Roma, é a catedral do Bispo de Roma, o nosso amado Papa Francisco.

“Cátedra”, catedral, quer dizer a Igreja Mãe. Se temos em cada uma de nossas dioceses, a Igreja Catedral, que é a mãe das outras catedrais, temos uma Igreja: a catedral e mãe de todas as igrejas: a basílica de São João de Latrão em Roma.

O que queremos expressar com isso? Primeiro, a comunhão de todas as igrejas com a Igreja Mãe, com a Igreja cabeça. A comunhão de toda a Igreja com fidelidade à Santa Mãe Igreja.

Queremos, cada vez mais, sermos Igreja, a Igreja de Cristo. Unidos a Pedro e ao Papa Francisco, queremos viver esse espírito de comunhão, isso precisa ser vivido e celebrado em cada uma das nossas igrejas particulares, das nossas capelas, oratórios, santuários, catedrais, basílicas, nossas igrejas grandes ou pequenas. Em cada uma delas é o lugar da morada de Deus, em cada uma delas Ele se faz presente.

Que Deus nos dê um espírito zeloso para cuidarmos da casa do Senhor para que ela seja o lugar do nosso encontro com Ele. 

Às vezes, vamos em nossa Igreja e as pessoas estão o tempo inteiro tirando fotos, conversando umas com as outras, fazem tudo menos uma oração verdadeira e sincera. Como eu quero e desejo que cada vez mais nossas igrejas sejam silenciosas, que sejam realmente o espaço de nos encontrarmos com Deus na Liturgia e em todo o tempo que buscarmos a casa do Senhor.

Eu te peço que vá à sua Igreja, mas não seja um promotor de bagunça. Precisa conversar com alguém? Converse fora da igreja. Precisa resolver alguma coisa? Resolva do lado de fora do templo, mas deixe o templo ser templo, que seja um lugar onde as pessoas possam contemplar e entrar em comunhão com Deus.

Não sejamos empecilhos e nem aqueles que tiram o zelo da casa do Senhor.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Homilia Diária

08NOV2018

No mundo é preciso lançar as redes, é preciso buscar as ovelhas do redil de Jesus

“Assim haverá, no Céu, mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão” (Lucas 15,7).

Na parábola da ovelha perdida sempre olhamos pela ótica das noventa e nove e daquela única que estava perdida. Às vezes, é preferível ser aquela única ovelha perdida do que as noventa e nove que parecem salvas. Porque, as noventa e nove que parecem salvas estavam num estado de acomodação.

Eu escuto as pessoas falando: “Já estou salvo. Já estou em Deus. Já estou na graça”, mas não se aplicam em se converter, em viver uma conversão constante e diária. A verdade é que: a conversão é vivida em etapas, existe a grande conversão de quem estava no pecado, deixou o pecado e começou a seguir Deus. "Começou" porque ainda tem um longo caminho que dura toda a vida.

Não nos acomodemos no processo de nossa conversão pessoal, porque aqueles que achamos perdidos e sem jeito, podem alcançar o Reino dos Céus mais rápido do que nós.

Ficamos parados no processo, aquela letargia espiritual toma conta de nós: “Eu já sou da Igreja. Já faço as minhas orações”. Não trabalhamos para combater vícios, práticas erradas e enganosas; não trabalhamos para combater as corrupções que carregamos dentro das nossas entranhas e nos conformamos em ser o que somos quando, na verdade, a ovelha que está na casa do Senhor é a que precisa trabalhar com mais seriedade pela sua conversão de vida.

Do outro lado, nos tempos em que vivemos, precisamos deixar a única ovelha para ir atrás das noventa e nove que estão distantes e longe. Esse é o desafio que o Papa Francisco faz para toda a Igreja nos dias de hoje: ser uma Igreja em saída, que vai em busca de tantas ovelhas que estão distantes da casa do Pai.

Antigamente, tínhamos a Igreja lotada porque as ovelhas lá estavam, hoje, temos de deixar a única ovelha na Igreja para buscar tantas outras que estão distantes. Nos lares, nas praças, nas redes sociais, no mundo é preciso lançar as redes. É preciso buscar as ovelhas do redil de Jesus.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Homilia Diária

07NOV2018

O discípulo autêntico e verdadeiro é aquele que ama a Deus sobre todas as coisas, sobre todas as pessoas e situações, sobre tudo o que possa existir

“Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!” (Lucas 14,33).

Já deu para ver e ouvir que é muito exigente ser discípulo de Jesus. O Mestre exige a medida certa. Acima de tudo, é essa a verdade que precisamos saber. O Mestre quer que sejamos discípulos autênticos e verdadeiros. Quem é discípulo autêntico e verdadeiro? É aquele que ama a Deus sobre todas as coisas; sobre todas as pessoas e situações; sobre tudo o que possa existir. O amor a Deus está em primeiro lugar para aquele que é discípulo do Senhor.

O amor a Deus exige de nós desapego, porque temos apego as coisas. Por exemplo, eu gosto demais de uma caneta e me apego a ela com tanta força, que não a solto para nada. Eu sou capaz de perder a minha vida, mas não perco essa caneta, porque ela representa tudo para mim.

Essa caneta é importante, ela me ajuda; mas não posso ter um apego demasiado a ela, de modo que nela eu coloque todas as forças do meu coração. Quando falo da caneta, posso me referir a qualquer coisa, como carro ou bens materiais.

Somos apegados demais as pessoas, até naquelas que são próximas a nós. Pais que são apegados em demasia aos seus filhos e vice-versa. Não temos de amar os nossos? É óbvio que sim! E temos de amar com muita força, com amor verdadeiro e autêntico, mas o amor que passa da medida, chama-se apego. É o amor em demasia, é o amor excessivo. Esse amor acaba sendo um amor doentio que gera muitos conflitos interiores dentro de nós.

Quem ama, cuida; e quem ama quer o bem de si e do outro. Podemos viver com ele, mas fisicamente longe.

Os pais não criam seus filhos para si, criam seus filhos para que sigam a vida deles. O homem deixa seu pai e sua mãe; a mulher deixa seu pai e sua mãe e, às vezes, a pessoa não consegue se casar, porque não conseguem "deixar". Os pais não deixam; os filhos também não querem deixar e ,criam uma situação tão dependente, que não conseguem seguir o caminho da própria independência.

Independência não quer dizer falta de amor, pelo contrário, quer dizer amor livre, amor que deixa o coração livre para seguir e progredir. Isso é referente a todas as coisas. Se me é necessário, então, eu valorizo isso hoje; agora já deu tempo, mas preciso ir sempre me desapegando da vida. Quando não fazemos isso, a morte se torna o maior dos dramas da vida, porque somos tão apegados a esse mundo e as coisas dele que, quando a morte nos puxa, ela nos faz morrer para sempre.

Se não somos apegados, se amamos tudo o que temos, se amamos as pessoas que Deus colocou na nossa vida, nunca as perdemos, porque elas estarão sempre no coração de Deus e, no coração d'Ele, sempre estaremos.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Homilia Diária

06NOV2018

O Reino de Deus pertence a quem quer se ocupar com Deus, com as coisas d’Ele e com quem não faz pouco-caso

“Pois eu vos digo: nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete” (Lucas 14,24).

Jesus concluiu o Evangelho com uma sentença muito dura, mas ao mesmo tempo, muito verdadeira e real: “Nenhum daqueles que foram convidados, provará do meu banquete”.

Muitos convidados simplesmente se comportam com indiferença. Sentem que o convite é um privilégio para fazerem pouco-caso: vão quando podem, quando dá. O privilégio de não terem tempo de ocupar-se com aquele que os convidou.

Somos os primeiros convidados para participarmos do banquete do Senhor, não podemos participar de qualquer jeito, responder de qualquer jeito e nem nos ocupar d’Aquele que nos chamou.

Os que foram convidados para esse banquete fizeram pouco-caso, arrumaram desculpa e estavam ocupados com outras coisas.

O Reino de Deus pertence a quem quer se ocupar com Deus e com as coisas d’Ele, com quem não faz pouco-caso ou tem pouco tempo para dedicar-se a Ele. No mundo em que vivemos, as ocupações, as tarefas, as obrigações são muitas; e ter tempo para Deus é uma questão de prioridade.

Se alguém me convida para um acontecimento, só poderei ir se for prioridade para mim, porque, se tenho outras prioridades preciso, de fato, corresponder a elas.

Só participa do Reino de Deus: quem tem Deus em primeiro lugar; quem O prioriza em sua vida.

“De manhã eu não rezei”, talvez a oração não seja prioridade para você. “Não deu tempo de rezar porque eu tinha muitas coisas”, talvez a oração da noite não seja prioridade para a sua vida. “Domingo não deu para ir à Missa”, talvez a Missa não seja prioridade para você. “Eu não pude adorar o Senhor”, talvez a adoração não seja prioridade para a sua vida.

Não adianta falarmos que amamos a Deus, se não temos tempo para Ele. Quando amamos, damos prioridade e colocamos isso em primeiro lugar.

Quem ama a Deus dá prioridade para Ele e para as coisas d’Ele. Não deixemos as nossas coisas de lado, as nossas obrigações e responsabilidades, pelo contrário, façamos as nossas responsabilidades na graça de Deus. Só não caia naquela desculpa de dizer que faz tudo com Deus, sendo que, de verdade, você não tem tempo para se ocupar de Deus, para silenciar, para rezar, para se colocar na presença d’Ele e, sobretudo, ir à casa d’Ele para participar do banquete.

Amemos a Deus com prioridade e seremos prioridade no coração d’Ele.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Homilia Diária

05NOV2018

Na sua vida, tenha sempre tempo para fazer festa com os pobres, de pegar o que você tem e ir cuidar das pessoas que estão necessitadas

“Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos” (Lucas 14,13-14).

O sentido do Evangelho, de hoje, é o de nos ensinar. Sobretudo, a não esperar recompensa por aquilo que fazemos. Você convida alguém para comer na sua casa esperando que, um dia, a pessoa te convide de volta. Você faz uma festa e convida os seus amigos, mas você fica muito triste se os seus amigos fazem uma festa e não te convidam, você se sente excluído, porque quer ser lembrado por aquilo que você fez ou faz.

O Reino dos Céus é daquele que tem gratuidade no coração, é daqueles que fazem as coisas por amor, por boa vontade e não esperam nada em troca dos homens. Não esperam retribuição, reconhecimento, aplausos, placas, méritos, não esperam parabéns e nem curtidas nas redes sociais. O que fazemos é pelo Reino de Deus e nada mais do que isso. É para Deus tudo aquilo que fazemos; é por causa do Reino de Deus que trabalhamos!

Não há mérito maior na vida do que fazer as obras em segredo, sem ninguém precisar saber, sem precisar de aplausos e daquelas plaquinhas de governantes ou prefeitos, dizendo “Eu inaugurei tal obra”. Não precisamos disso, porque, a recompensa que receberemos é aquela do Reino dos Céus.

Na sinceridade de coração, na sua vida, tenha sempre tempo para fazer festa com os pobres, de pegar o que você tem de roupas, de bens e ir cuidar das pessoas que estão necessitadas. Surpreenda você mesmo e os mais pobres, vá aos lugares mais paupérrimos dessa vida, visite vilas, favelas, povoados, pessoas que passam necessidades. Seja em qualquer lugar que você viva ou que esteja, isso é evangélico, é do Evangelho, isso é do discípulo de Jesus Cristo: fazer festa com os mais pobres.

Eu sei que, daqui a pouco, estamos nos preparando para os festins de Natal e de Ano Novo. E a festa é sempre a mesma, é bom estar rodeados de amigos, da família. Qual é o Natal que traz sentido à sua vida? Tire um tempo para refletir. Será que não vale a pena tirarmos sempre um dia da nossa vida, do nosso mês, da nossa semana para celebrar e festejar com os mais pobres, dar a eles a alegria de saber que o Reino dos Céus é deles em primeiro lugar? Faça isso e o seu coração vai experimentar a paz que ainda não experimentou!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

domingo, 4 de novembro de 2018

Homilia Diária

04NOV2018

Precisamos lutar para viver a graça da pureza batismal que nos foi concedida pelo Senhor. Ele é santo e deseja que nós todos sejamos santos

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mateus 5,3).

Hoje, temos a grande alegria de celebrarmos a Solenidade de todos os santos. Veja aqui uma particularidade, "todos os santos" quer dizer até mesmo aqueles que não conhecemos, que não são canonizados, que não foram oficialmente dados pela Igreja como santos, mas são. 

A santidade não é mérito nosso, mas é mérito de Deus, e é Ele quem chama para junto de si aqueles que levaram, aqui na Terra, uma vida bem-aventurada, são dignos de participar da glória celeste. É o destino de todos nós, é o que devemos almejar com toda a força da nossa alma e do nosso coração!

Não podemos querer ser outra coisa a não ser santos. Podemos até dizer: “Eu sou pecador. Tenho os meus pecados”. Todos os santos, com exceção da bem-aventurada Virgem Maria, que também lutou pela sua santidade para permanecer imaculada, nasceram pecadores, mas não deixaram o pecado prevalecer, porque santo é aquele que deixa prevalecer a graça, a luta pela santidade, o combate para viver a vida em Deus.

O dia de hoje nos faz lembrar os santos que temos devoção e amor, os santos que nós conhecemos a sua história, a sua vida. Hoje, especialmente, essa festa é dedicada para lembrar os santos que fazem ou fizeram parte do nosso cotidiano: os nossos avós, algum dos nossos pais que já partiram para a eternidade, pessoas de nossa comunidade, próximas a nós que dizemos: “Que pessoa santa que nos edificou com a sua vida, que viveu essas bem-aventuranças, o espírito da pobreza, da aflição, da mansidão, da paz, da pureza”. Foram perseguidos, injustiçados, mas permaneceram fiéis a Deus e a Sua Palavra.

São essas pessoas que estamos celebrando no dia de hoje, essa enorme multidão que ocupa lugar no coração de Deus e participam da felicidade sem fim que ninguém mais poderá roubar. Que mérito esses homens e essas mulheres têm! Da nossa parte, a nossa luta, porque a nossa meta é o Céu, é ir morar junto com eles na eternidade feliz, junto com Deus.

Precisamos, no dia de hoje, assumir um compromisso de viver a graça do batismo com seriedade, serenidade e empenho. Que graça é essa? O batismo nos conferiu a santidade original quando nos lavou dos nossos pecados. Precisamos lutar para viver a graça da pureza batismal, que nos foi concedida pelo Senhor. Ele é santo e deseja que nós todos sejamos santos.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

sábado, 3 de novembro de 2018

Homilia Diária

03NOV2018

Busquemos o lugar dos últimos, busquemos estar com os últimos, porque é lá que Deus está e estará

“Quando fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu” (Lucas 14,8).

A parábola que Jesus nos conta, hoje, é a respeito da festa de casamento onde era importante quem ocupava os primeiros lugares, porque significava que era mais amigo e mais próximo dos noivos. A pessoa chegava e ocupava aquele lugar, mas, de repente, tinha alguém que era mais importante, alguém que era de mais consideração. Que constrangimento, pois a pessoa tinha de se levantar para ceder lugar a outra.

É muito mais simples ocuparmos o último lugar e os noivos nos convidarem para irmos mais próximos deles, mas só faz isso quem tem humildade e discernimento no coração.

Quem é movido pela arrogância e pela soberba quer sempre os primeiros lugares, quer estar na frente em tudo, quer saber mais, ter mais importância, chegar e, como diz a expressão popular, “abafar”.

Precisamos abafar o nosso orgulho, a nossa soberba, a nossa autossuficiência, o nosso sentimento de grandeza e sabermos buscar o nosso lugar. Esse lugar é o último, lugar que ninguém quer, que ninguém deseja ocupar, é para esses que Deus se volta em primeiro lugar. Enquanto, dentro de nós, travarmos esse combate, onde o orgulho está espezinhando, está sempre nos atormentando por causa das honras que merecemos, por causa das lembranças que os outros precisam ter de nós, viveremos um eterno combate na nossa alma.

O exemplo que Jesus nos dá – quem se eleva será humilhado e quem se humilha será exaltado – é para nos mostrar que não precisamos buscar nada que represente grandeza ou reconhecimento para nós, aplauso das pessoas ou merecimento por aquilo que fazemos. O nosso reconhecimento, o nosso merecimento vem de Deus, que reconhece, de fato, quem somos e o que fazemos. Ele reconhece, de fato, quando o coração faz as coisas com sentimento de humildade e não de grandeza.

No mundo, onde estão sempre buscando os primeiros lugares, busquemos o lugar dos últimos, busquemos estar com eles, porque é lá que Deus está e estará.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Homilia Diária

02NOV2018

Que a esperança da eternidade seja o motor a motivar o nosso coração a ter sempre mais confiança e esperança no Senhor

“Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia” (João 6,40).

Hoje, celebramos o Dia dos Fiéis Defuntos, de todos aqueles que já partiram para a eternidade. Alguns já triunfam na glória celeste, onde celebraremos o Dia de Todos os Santos, mas muitos padecem no purgatório, esperando a purificação para também fazerem parte do festim celeste. Celebramos a nossa comunhão com essa igreja padecente, celebramos a comunhão com os nossos que já partiram para a outra vida.

A esperança é importante neste dia. Sabemos em quem colocamos a nossa esperança, é no Cristo Jesus, nosso Senhor. O nosso Deus é o Deus da vida e não o Deus da morte, Ele transforma a nossa morte em vida eterna, vida que ninguém mais poderá nos roubar. É essa esperança que deve sempre mover o nosso coração!

O dia de hoje não é um dia de tristeza; pode ser um dia de saudade, porque as pessoas que amamos estão dentro de nós, deixaram uma marca em nossa alma e coração. Podemos e devemos sentir saudade dessas pessoas amadas e queridas, são parentes, familiares, amigos, pessoas que fazem parte da nossa história e da nossa vida, porém, eles já foram para onde nós também iremos.

Em Deus todos nós nos encontramos, Ele reúne toda a família em um só lugar. Eles foram primeiro que nós, já estão participando daquilo que Deus preparou para quem O ama, e também estamos nos preparando para ir.

O dia de hoje precisa ser de reflexão sobre a nossa própria vida. Como estamos conduzindo a nossa vida? Como estamos nos preparando para participar da eternidade? Estamos guardando o nosso lugar no Céu? Estamos cuidando da casa que o Pai nos preparou na eternidade?

É Jesus quem nos disse, quem nos deu essa certeza e esperança: “Na casa do meu Pai há muitas moradas!”. Então, lá tem uma morada para cada um de nós, e precisamos cuidar dela. Como vamos cuidar dessa morada no Céu? Vivendo bem a nossa vida aqui na Terra, sendo honestos, justos e fiéis a Deus, vivendo a nossa fé com intensidade e confiança sem jamais nos deixar desanimar por tudo que enfrentamos de contrariedades e dificuldades nesta vida.

Que a esperança da eternidade seja o motor a motivar o nosso coração a ter sempre mais confiança e esperança no Senhor.

Deus abençoe!

Padre Roger Araújo

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Homilia Diária

01NOV2018

Precisamos nos revestir da armadura de Deus, tomar a nossa fé como escudo para que possamos combater o inimigo da nossa fé

“Revesti-vos da armadura de Deus, para estardes em condições de enfrentar as manobras do diabo. Pois não é a homens que enfrentamos, mas as autoridades, os poderes, as dominações deste mundo de trevas, os espíritos do mal que estão nos céus” (Ef 6,11-12).

Este é o convite que Deus faz, hoje, ao nosso coração: revestir-nos da Sua graça e da Sua armadura, porque estamos em um combate espiritual. Quando falamos em combate, as primeiras palavras que vêm a nossa mente são guerra e conflito, então, começamos a entrar em conflito conosco e com os outros.

Não é deste conflito que a Palavra de Deus se refere. A Palavra de Deus combate o conflito dos homens contra os homens. 

O nosso grande erro é nos colocarmos contra os outros. Eu fico impressionado como os cristãos estão contra os cristãos, estão brigando uns com os outros, discutindo e desmerecendo o valor do outro, criando guerras e combates nas conversas e nas redes sociais. O nosso combate não é contra os homens de carne e sangue, pelo contrário, o nosso combate é contra o maligno, contra aquele que nos seduz e inspira o mal, é contra aquele que, de fato, coloca, em nosso coração, acusações contra os nossos irmãos. É ele que precisamos combater, ele é o nosso inimigo comum!

O nosso irmão não é nosso inimigo, o nosso irmão deve ser nosso irmão. Ele pode ter valores diferentes, opiniões diferentes das nossas, escolhas que até divergem das nossas, mas ele é nosso irmão, é tão filho de Deus quanto nós. Podemos estar sentidos, ressentidos e magoados, mas não podemos combater a pessoa que nos deixou ressentidos ou magoados. Precisamos combater o ressentimento e a mágoa, não os podemos deixar se avolumar dentro do nosso coração nem tomar conta de nós.

Precisamos nos revestir da armadura de Deus, tomar a nossa fé como escudo, para que possamos, com a fé robustecida, mais forte e firme combater o inimigo da nossa fé.

A Palavra nos diz que são os espíritos espalhados pelos ares, porque eles são muitos. Eles semeiam discórdia, inimizade, orgulho e tudo quanto é tipo de coisas malignas em nosso meio. Por isso, na graça de Deus, combatemos o mal e nos revestimos da fortaleza divina.

O silêncio, a humildade de coração, a sobriedade da alma são elementos essenciais para o combate espiritual que se trava na mente, como maus pensamentos e sentimentos malignos. A batalha espiritual que se instala dentro do nosso coração está recheada de coisas negativas.

Combatamos o maligno que deseja nos ver enfraquecidos e brigados com os irmãos.

Que a paz esteja em nosso coração!

Deus abençoe você

Padre Roger Araújo

Homilia Diária

31OUT2018

Se não nos convertermos nem buscarmos em Jesus um coração manso e humilde, nunca seremos justos

“Então começareis a dizer: ‘Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças!’ Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça! Ali haverá choro e ranger de dentes’”(Lucas 13,26-28).

Talvez possamos nos gloriar de pertencermos à Igreja, de sermos cristãos e seguidores de Jesus. Você pode até dizer: “Eu sou batizado. Eu tenho a cruz. Eu trago a medalha, porque sou consagrado a Nossa Senhora. Trago símbolos em mim”. Isso não quer dizer nada, ao mesmo tempo, pode sinalizar alguma coisa. Pode sinalizar que estamos no caminho de conversão ou na hipocrisia.

As vestes não traduzem o que, de fato, a pessoa é; como eu afirmo, elas podem sinalizar sim, que você vive um caminho de adesão a Deus e assim por diante. O que sinaliza se alguém é de Deus mesmo é aquilo que o Evangelho está dizendo, é aquele que nas suas ações, nas suas obras, naquilo que ele faz, testemunha o amor de Deus na sua vida. E, acima de tudo, ele é justo nas suas obras e nas suas ações, jamais comunga com as injustiças da vida, do mundo e com o seu próximo; não acusa ninguém nem se coloca acima dos outros.

Uma pessoa justa é primeiro humilde. Quando vemos uma pessoa orgulhosa e soberba, a justiça de Deus não está nela, porque o orgulho cega toda a visão, ele faz justiça segundo a sua visão justiceira, mas nunca segundo a justiça de Deus. O que ele acha que é certo é segundo a sua visão fechada, e não segundo a visão humilde que vem do Evangelho.

Se não nos convertermos nem buscarmos em Jesus um coração manso e humilde, nunca seremos justos, e se não formos justos nunca seremos reconhecidos por Deus como da família d’Ele.

Alguns dizem: “Senhor, eu estava nas praças pregando o teu nome. Eu estava nas redes sociais brigando por causa de você, mas eu estava defendendo a sua causa, a sua Igreja”. Será duro ouvir: “Não vos conheço”.

Não basta falar em nome de Jesus, pregar em nome d’Ele ou defender a causa d’Ele. Se praticamos a injustiça naquilo que fazemos, o preço que pagaremos acima de qualquer coisa é muito duro.

É tempo de nos corrigirmos, queremos muito corrigir os outros, perdemos muito tempo com discussões tolas que não levam a nada. Aliás, levam a provocar a discórdia, as divisões e assim por diante. O nosso chamado é para revermos onde estamos sendo injustos na vida.

Você pode dizer: “Eu sou sempre justo”, mas você está sendo injusto com você mesmo, porque não é nem capaz de reconhecer a maior das injustiças que é o pecado.

Qualquer pecado é um atentado contra o Deus justo, soberano e misericordioso que nos deu a vida.

Voltemo-nos neste tempo que Deus nos dá para nos olharmos, para reconhecermos onde falhamos e erramos para que a injustiça não cresça e domine as nossas ações.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo