Gol

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Homilia Diária

10DEZ2018

O Filho do Homem tem na Terra o poder de perdoar os pecados

“Pois, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder de perdoar pecados — disse ao paralítico — eu te digo: levanta-te, pega o leito e vai para casa” (Lucas 5,24).

A graça que vemos hoje é desse paralítico que é levado até Jesus. Jesus, cura esse paralítico pela fé dele e daqueles homens que sobem pelo telhado para fazerem com que ele fique com Jesus, para que seja curado e para que se levante.

Veja, o que Jesus faz em primeiro lugar é perdoar os pecados desse homem, porque algumas pessoas acham que Deus nos cura de uma forma mágica quando, na verdade, Ele nos levanta daquilo que nos prostra, daquilo que nos paralisa e nos mantêm presos, escravos ou cativos a esse mundo.

Nada mais nos escraviza e nos paralisa na vida do que os nossos próprios pecados. Aliás, a grande paralisia da vida humana é a pessoa não ter mais capacidade para reconhecer os próprios pecados, chega num estado de acomodação, de conformidade com o que é errado que a pessoa nem toma consciência do que é pecado. Talvez ela até possa ter a consciência de que está pecando, mas não consegue sair ou já se entregou de tal forma que a sua vida espiritual paralisou.

Não crescemos na relação com Deus, não crescemos na santidade, se não nos libertarmos da escravidão do pecado. Não somos capazes por nós mesmos de nos libertarmos do pecado porque não temos o poder de perdoar os nossos pecados, o que temos é a condição de nos arrependermos deles; temos a condição de reconhecê-los, mas o Filho do Homem tem na Terra o poder de perdoar os pecados.

Precisamos entender que perdoar os pecados não é aquela simples situação de duas pessoas se desentenderem: “Perdoe-me”, e o outro nos perdoa. É muito mais do que isso, porque o pecado traz suas consequências, ele deixa marcas em nós e nos outros. O pecado destrói a nossa relação, a nossa proximidade e intimidade com Deus. O pecado nos rebaixa, nos humilha e não podemos negar que nos paralisa.

Deus nos quer de pé, por isso Ele quer perdoar os nossos pecados, mas precisamos nos arrepender deles.

Neste tempo de graça, onde muitos estão se preparando para as festas, estão arrumando a casa, organizando isso e aquilo, não deixe de fazer o essencial. É essencial para esse tempo de graça um bom, um verdadeiro, um autêntico exame de consciência onde vamos rever nossas posições, nossas posturas, atitudes, o que fazemos, falamos e pensamos, vamos reconhecer onde falhamos de verdade e suplicar com todo ardor do nosso coração a misericórdia e o perdão de Deus.

Deus quer tirar a nossa vida da paralisia, Ele faz isso quando nos libertamos de nós, dos nossos pecados e deixamos a sua graça nos renovar.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

domingo, 9 de dezembro de 2018

Homilia Diária

09DEZ2018

O modo de João fazer esse percurso e nos mostrar por onde devemos andar é por aquilo que ele fez pregando um batismo de conversão

E ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados”(Lucas 3,3).

Que graça sublime, neste segundo domingo do Advento, colocarmos em destaque o papel de João Batista. Maria foi toda de Deus, mas João também foi todo d'Ele desde o ventre de sua mãe, quando lá foi santificado. João nasceu com uma missão divina, nasceu para ser profeta do Deus Altíssimo e veio para preparar e aplainar os caminhos por onde o Senhor deveria passar.

João é para nós uma seta que nos indica o caminho do Céu. Como ele mesmo vai nos dizer, ele não é o caminho, mas nos aponta Jesus, que é o caminho. Ele não é a salvação, mas nos aponta Jesus como nosso Salvador.

O modo de João fazer esse percurso e nos mostrar por onde devemos andar é por aquilo que ele fez pregando um batismo de conversão. É convertendo o coração, é nos arrependendo de nossas faltas, buscando o perdão de Deus que encontramos a salvação.

Vemos a salvação de Deus entre nós quando nos arrependemos, sinceramente, dos nossos pecados. O caminho que João traça para a nossa vida, neste tempo de graça que chamamos de Advento, é pararmos para tomar consciência de que todos nós somos pecadores. Essa consciência do todo precisa ser trazida para o nosso individual, para o nosso singular, porque o que precisamos é, de forma pessoal e não coletiva, simplesmente nos arrependermos dos nossos próprios pecados, deixar que aquilo que o batismo fez em nós, quando éramos crianças, nos removendo da consequência do pecado original, que o nosso batismo seja atualizado sempre, seja vivo sempre, que entremos pelas águas do rio Jordão, para que Deus nos lave, purifique-nos e renove para termos a graça de recebermos Jesus, o nosso divino Salvador.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

sábado, 8 de dezembro de 2018

Homilia Diária

08DEZ2018

O novo paraíso é o ventre e o coração de Maria, porque ela foi toda feita por Deus, livre de toda mancha

Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lucas 1,28).

Celebramos, com muito amor no nosso coração, a grande festa da Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. Essa verdade da fé nos diz que Maria foi preservada da mancha do pecado original desde o momento da sua concepção.

Na história da Igreja, nunca houve dúvidas sobre a santidade de Maria, sobre o fato de ela não ter pecado. O que sempre se perguntou é em qual momento Deus a libertou do pecado e em que momento ela foi santificada para ter vivido essa graça para ser toda de Deus.

João Batista foi santificado no ventre de sua mãe, mas Maria, por graça e privilégio especial, não por causa dela, mas pelos méritos do seu próprio filho Jesus Cristo Nosso Senhor e Salvador, que foi concebido no seu ventre, foi preservada em vista dessa graça sublime e maior, que é gerar Jesus: o ventre puro e imaculado, o lugar da morada de Deus.

Celebramos, hoje, o novo paraíso, porque o velho foi corrompido pelos pecados dos nossos pais. O novo paraíso é o ventre e o coração de Maria, porque ela foi toda feita por Deus, livre de toda mancha. A criação primeira corrompida é novamente recriada em Maria.

A Virgem Mãe não é deusa nem semideusa, mas uma criatura como todas as outras. Ela apenas correspondeu a uma graça que caiu em desgraça por causa de Adão e Eva, e agora essa graça é plenamente recuperada nela, por isso o anjo a saúda como totalmente agraciada por Deus.

O anjo não diz: “Olha, você vai se tornar agraciada”. Ele diz: “Você é a cheia de graça”, porque a graça de Deus está sobre ela desde o momento que ela foi concebida no ventre de sua mãe.

O que Maria tem a nos ensinar? É um privilégio? Não chamo de privilégio, eu chamo de graça. E o que Maria fez? Ela correspondeu a essa graça.

Quanto maior é a graça, maior é a responsabilidade; e quanto maior for a irresponsabilidade com a graça, maior também são as desgraças e consequências disso. Basta ver o que foi a decorrência do mal que se apoderou do coração de Adão e Eva, nossos primeiros pais. 

A festa da Imaculada Conceição nos chama a trilhar um caminho de fidelidade a Deus e de combate ao mal e ao pecado. Maria é para nós uma seta que indica o caminho do Céu. Podemos segui-la na fidelidade ao Senhor, no amor ao Reino dos Céus e no combate ao pecado, porque ela não foi só concebida, mas não deixou que o pecado entrasse na vida dela.

Não é porque nascemos pecadores, que podemos nos entregar aos deleites dos pecados ou deixar que eles façam morada em nós.

Maria foi morada da graça, o que ela quer, hoje, é fazer de nós um lugar onde a graça de Deus viva, more e habite, para estarmos também com ela na eternidade feliz.

Deus abençoe!

 

Padre Roger Araújo

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Homilia Diária

07DEZ2018

É o momento, é a hora da graça, de deixarmos Deus abrir os nossos olhos e nos mostrar a luz da vida

Então Jesus tocou nos olhos deles, dizendo: ‘Faça-se conforme a vossa fé’” (Mateus 9,29).

São dois cegos que estão gritando: “Jesus, tende piedade de nós! Filho de Davi, tenha compaixão de nós!”. Esses cegos querem ser curados, estão clamando para que Jesus se compadeça deles. Jesus está perguntando se eles têm fé, se eles acreditam que Ele pode fazer algo por eles; então dizem: “Sim, eu creio”. É por isso que Jesus tocou nos olhos deles e disse: “Faça-se segundo a vossa fé”.

Essa é a grande graça que a fé nos concede, ela abre os nossos olhos. A fé nos abre para enxergarmos o que a incredulidade, o orgulho e o pecado não nos permitem enxergar.

Todos nós vivemos a insensatez de não enxergarmos a verdade. Os nossos olhos estão como que cobertos por escamas e não enxergamos a vida e a realidade como de fato ela é, porque não temos os olhos da fé.

A graça que esses dois homens alcançaram é muito mais do que a graça da visão física, propriamente dito. A graça de enxergar é aquilo que eles, como cegos, já estavam enxergando, que Jesus era a luz da vida deles.

É preciso dizer que para nós, que caminhamos, muitas vezes, em meio à escuridão, às obscuridades na alma, na mente, nos relacionamentos e em todas as situações da vida, Jesus é a luz da vida. É Ele quem ilumina os nossos olhos, é Ele quem clareia o nosso coração diante de tantas coisas obscuras que nos cegam.

Acalme o seu coração, silencie a sua alma e busque, com toda intensidade do seu ser, a confiança e a fé n’Ele, porque Ele há de abrir os nossos olhos, vai nos ajudar a enxergar o que não conseguimos.

O cego é aquele que não enxerga a si mesmo. Achamos que enxergamos bem, mas nem óculos nós usamos! Nossa mente, no entanto, está, muitas vezes, obscurecida e ofuscada, nem nos enxergamos, não percebemos quando estamos fazendo mal aos outros, estamos sendo ridículos com nós mesmos, estamos nos enganando, iludindo-nos com tantas coisas que não percebemos. Estamos falhando com o outro.

É o momento, é a hora da graça, de deixarmos Deus abrir os nossos olhos, nos mostrar a luz da vida, para que não morramos na cegueira sem enxergar a luz da vida e ver a vida com a luz da graça, para que a nossa vida caminhe na direção do Céu e da eternidade.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Homilia Diária

06DEZ2018

Somos pessoas frágeis, sujeitos a falhas e erros, por isso a nossa confiança sempre tem de estar em Deus Nosso Senhor

“Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha” (Mateus 7,24-25).

Onde você está alicerçando a sua vida? Sobre qual fundamento você está colocando a sua existência? Viver não é fácil para ninguém, pois a existência humana é condicionada a tantas situações problemáticas, emblemáticas, que vem de todos os lados. Seja a chuva que vem de cima, sejam as enchentes que vêm debaixo, sejam os ventos que vêm do lado, em todas as proporções estamos tendo os enfrentamentos da vida.

Se edificarmos a nossa casa sobre a rocha firme, que é Jesus, Ele nos manterá de pé, Ele nos sustentará. Muitas vezes, abalamo-nos, caímos, prostramo-nos e temos quedas que arrasam toda a nossa vida. Primeiro, porque colocamos uma confiança muito grande em nós. É verdade que temos de ter confiança em nós, não podemos ser movidos por um sentimento de coitadinhos, de fracasso, mas tomemos cuidado com o excesso de confiança em nós mesmos. Somos pessoas frágeis, estamos sujeitos a falhas e erros, por isso nossa confiança sempre tem de estar em Deus Nosso Senhor.

Depois, confiamos nos homens, confiamos demais nas pessoas. Não seja aquela pessoa doentia que desconfia de tudo e de todos, porque, assim, caímos numa neura, e a vida se torna muito mais problemática. Isso não quer dizer que todos mereçam nossa desconfiança; a verdade é que colocamos excesso de confiança nas pessoas, e há momentos em que esse excesso de confiança se torna algo tão pesado, que a pessoa não corresponde às expectativas, ela falha e nós ficamos desapontados.

Olho para Deus, é n’Ele que coloco a minha confiança e esperança, e Ele jamais há de me decepcionar. Eu já me decepcionei comigo, já me decepcionei com as pessoas, já me iludi, eu já confiei mais do que deveria.

A maturidade da vida e a Palavra de Deus nos dão sempre o norte e a direção. É no Senhor que devemos alicerçar a nossa vida e o nosso coração!

O Senhor nos ensina como devemos nos relacionar com as pessoas, com aqueles que estão ao nosso lado, até que ponto devemos chegar, mas sem jamais sair dessa direção: alicerçados firmemente no Senhor, pois é Ele quem nos sustenta e leva para frente.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Homilia Diária

05DEZ2018

Olhemos para o mundo em que estamos, onde muitos padecem, seja pela fome da Palavra de Deus, seja pela fome de alimento

Jesus chamou seus discípulos e disse: ‘Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo, e nada tem para comer. Não quero mandá-los embora com fome, para que não desmaiem pelo caminho’” (Mateus 15,32).

Jesus tem compaixão do ser humano, Ele tem compaixão e misericórdia da nossa humanidade e, por isso, Ele, primeiro, nos alimenta por dentro. Alimenta o nosso interior, a nossa alma, alimenta-nos com o pão da Palavra. E, a Palavra d’Ele, chegando ao nosso coração, preenche aquele vazio, aquela sede e fome de eternidade que todos nós sentimos. Jesus tem compaixão da nossa alma enfraquecida que, muitas vezes, está desanimada, sem alento e sem gosto. 

Todo ser humano precisa se alimentar, precisa cuidar das suas necessidades fundamentais e, uma delas, não tenha dúvidas, é a de se alimentar bem. Por isso, Ele teve compaixão daquele povo que O escutava e não tinha alimento para comer. Ele chamou os discípulos e manifestou a sua preocupação. “O que vamos fazer com essas pessoas? Não podemos mandá-las embora”. A ordem de Deus para nós é essa: não mandemos ninguém embora com fome. Que ninguém saia da nossa frente, da nossa vista e da nossa vida com fome de Deus e nem fome de alimento.

Olhemos para o mundo em que estamos, onde muitos padecem, seja pela fome da Palavra de Deus, seja pela fome de alimento. A Igreja de Deus não tem uma forma pequena e nem reduzida, quanto mais egoísta de ver o ser humano. Ela vê o ser humano num todo e vê que precisamos levar a Palavra de Deus aos corações, mas precisamos despertar, no coração dos que ouvem a Palavra de Deus, o cuidado e a atenção para com os mais pobres, mais necessitados e sofridos.

Não faça uma evangelização pela metade, não se preocupe em apenas levar a Palavra. Leve a Palavra, evangelize pela Palavra, proclame a Palavra, mas leve o pão, o alimento, leve aquilo que o outro está precisando para alimentar as suas necessidades básicas e fundamentais, inclusive, para viver e sobreviver.

Que ninguém passe fome e nem necessidades, que ninguém morra ao nosso lado porque não demos atenção às suas necessidades fundamentais de sobrevivência.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Homilia Diária

04DEZ2018

Jesus está nos direcionando para o caminho da humildade, porque o Reino dos Céus pertence àqueles que são pobres e humildes de coração

Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos” (Lucas 10,21).

O Reino de Deus é encontrado não por aqueles que são movidos por sua própria sabedoria, pelo conhecimento que têm das coisas. O Reino dos Céus é revelado aos corações pequeninos.

Olhe a forma redundante, não é nem aos corações pequenos, mas aos corações que são mais do que pequenos. Ainda que seja um forma carinhosa e amorosa de Jesus se referir, Ele está nos direcionando para o caminho da humildade, porque o Reino dos Céus pertence àqueles que são pobres e humildes de coração.

Talvez, os sábios consigam descobrir os segredos do universo; as leis que regem a existência física e assim por diante. Mas, mesmo com todo o conhecimento não encontram o Reino dos Céus.

O Reino dos Céus acontece dentro de nós, ele se instala dentro de nós quando nos despojamos daquela capa velha que nos deixa com sentimento de superioridade, de vantagem sobre as outras pessoas e nos submetemos de forma humilde, sincera e verdadeira aos cuidados do Senhor. Vamos penetrando no coração de Deus e o Reino de Deus vai penetrando em nossa alma e em nosso coração.

Por isso, deixe de lado esse sentimento de grandeza, esse sentimento que nos leva a querer estar acima dos outros, de nos sentirmos melhores do que os outros, esse sentimento nos leva a querer rivalizar e competir com o outro.

Busquemos o caminho da humildade, porque o Reino dos Céus é revelado a quem vive a pequenez de coração.

O segredo de uma alma pequena não é que ela seja pequena no tamanho, ela é até grande no tamanho, mas é pequena na dependência total de Deus. Ela não é grande no sentido do orgulho que move o coração dos homens, mas ela humilha todo sentimento de grandeza, de soberba dentro de si, para se unir ao seu Senhor.                             

Uma alma humilde é uma alma que se une ao coração de Deu e se submete a Ele. O coração pequenino é o coração onde Deus habita. É hora de purificar o coração, lavar a alma, renovar os nossos sentimentos interiores, para que não sejamos movidos pela cobiça do mundo e busquemos, no mundo, as satisfações para a nossa alma.

O que satisfaz o coração de uma alma pequenina é a presença amorosa de Deus dentro de si. O que preenche o coração de um servo do Senhor é servi-Lo com o coração humilde, porque, ali, Deus habita e realiza a sua graça.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Homilia Diária

03DEZ2018

Todos os povos, todas as pessoas são convidadas para participar da mesa do Senhor, mas é preciso ter fé confiante, orante e verdadeira

“Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó (Mateus 8,10-11).

Jesus está louvando com muita admiração a fé desse oficial romano. É muito importante prestar atenção neste detalhe: ele não é um judeu, não é um homem que frequenta a sinagoga, não é um homem de religiosidade ou que faz parte da religião oficial. Pelo contrário, ele faz parte do império romano, daquilo que é o domínio do império romano sobre Israel. Mas é um homem de fé e foi com essa fé que ele clamou a Jesus pela cura do seu empregado, pelo restabelecimento do seu empregado.

A fé desse homem tem muito a nos ensinar. Primeiro, é uma fé movida por um amor. Ele não vai ali buscar uma cura, um milagre para si, ele vai buscar para o seu empregado. Ele poderia ter recorrido à medicina, a todo dinheiro que ele tinha, mas recorre a fé, porque ele sabe quem é Jesus, ele sabe que Jesus pode curá-lo, sabe que Jesus pode por ele. Por isso, deposita toda a sua fé em Jesus. Não deposita na sua autoridade de oficial romano, não deposita no dinheiro que ele tem e nem no prestígio que ele pode ter enquanto oficial.

É uma fé confiante e humilde; é uma fé de súplica; é uma fé de quem acredita que Jesus pode fazer. Por isso, Jesus exclama: "Eu nunca encontrei em Israel alguém de tamanha fé".

Ora, se em Israel o povo escolhido não teve tamanha fé em Jesus, um oficial pagão teve. Por isso, Jesus está afirmando que muitos virão do Oriente e do Ocidente para se sentarem com os nossos pais na fé, Abraão, Isaac e Jacó.

Abraão, Isaac e Jacó não são pais somente do povo de Israel, mas são os patriarcas de toda a fé espalhada pela face da Terra. Somos a feliz descendência de Abraão, por isso, todos aqueles que tem fé única, verdadeira, singular e sincera no Senhor, há de sentar-se à mesa do Reino dos Céus.

Todos os povos, todas as pessoas são convidadas para participar da mesa do Senhor, mas é preciso ter fé confiante, orante e verdadeira. Fé que faz desprender-se de si mesmo, do seu orgulho, da sua autossuficiência, da sua soberba, do confiar em si mesmo para confiar no Senhor e saber que Ele tudo pode. Que a fé do oficial romano nos ensine que independente do que somos e de onde viemos é no Senhor que está a nossa confiança.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

domingo, 2 de dezembro de 2018

Homilia Diária

02DEZ2018

A nossa fé cristã, sobretudo, no tempo do Advento, prepara o nosso coração para ter sempre a feliz expectativa da vinda do Senhor

“Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem” (Lucas 21,36).

Esse primeiro domingo do Advento traz aquilo que a Palavra de Deus nos fala sobre os acontecimentos finais da história da humanidade, abalos em toda a estrutura do universo, onde toda a Terra será abalada com tantas situações catastróficas.

Quando ouvimos falar de todas essas coisas, muitas vezes, o medo, o pavor, o receio e a angustia tomam conta do nosso coração. Mas, deve ser o contrário, diante da advertência de tantas coisas trágicas que podem acontecer e estão acontecendo no mundo onde estamos. A nossa cabeça tem de estar erguida, confiante n’Aquele que é o Senhor da nossa vida.

Os sinais de abalos que acontecem no mundo, prefiguram uma proximidade da vinda do Senhor. Isso não quer dizer que o Senhor está vindo amanhã, depois de amanhã, mas que, no breve de Deus, Jesus retornará com poder e glória para salvar e resgatar os seus.

A nossa fé cristã, sobretudo, no tempo do Advento, prepara o nosso coração para ter sempre a feliz expectativa da vinda do Senhor. O Senhor, que já veio na Sua primeira vinda, por isso que celebramos o Natal, o Senhor que vem ao nosso encontro pelos sacramentos, pela vivência da caridade, pelo amor fraterno; e o Senhor que virá na sua vinda gloriosa e definitiva.

Essa expectativa não pode sair da nossa alma e do nosso coração e não pode se transformar numa ansiedade doentia, onde começamos a fantasiar ou criar predisposições que não são verdadeiras. E, é aí que começa aqueles cálculos, as interpretações de textos bíblicos, de acontecimentos, de profecias, essas preocupações não devem tomar conta do nosso coração.

A nossa espera pela vinda do Senhor é uma espera sóbria; é uma espera tranquila e confiante que nos coloca em estado de santidade. Como é que aguardamos a vinda do Senhor? Ficando atentos e orando a todo instante. É a oração que nos mantêm de pé diante do Senhor que veio, que está entre nós e do Senhor que virá. É a oração que nos mantêm no espírito vigilante para não nos perdermos na insensatez da vida, para não nos perdermos na embriaguez, no excesso do comer e com as coisas desse mundo. É a oração que nos mantêm na vigilância constante, para combater o mal e o pecado. É na oração que somos abastecidos e temos forças para ficar de pé diante daquele que virá e diante das circunstâncias trágicas que todos nós enfrentamos na vida.

“Vem, Senhor Jesus. Maranathá”, é o grito do nosso coração, é o clamor da nossa alma na feliz expectativa do Senhor que vem. Nós O aguardamos com o coração vigilante, orante, esperando que Ele venha ao nosso coração.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

sábado, 1 de dezembro de 2018

Homilia Diária

01DEZ2018

Perder a sensibilidade do coração é perder a atenção e o cuidado com a própria vida e com aqueles que nos cercam

“Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós (Lucas 21,34).

Jesus cuida de nós como seus discípulos e, como Mestre da nossa vida, Ele está nos advertindo para que cuidemos bem da nossa própria vida. Esses três conselhos de Jesus são importantes para que mantenhamos a serenidade, a vigilância e a atenção para com a nossa vida.

A primeira coisa é não deixar que o coração, de fato, torne-se insensível, porque perder a sensibilidade do coração é perder a atenção e o cuidado com a própria vida e com aqueles que nos cercam. Não estamos sozinhos no mundo, precisamos ter sensibilidade com a dor, o sofrimento e para com a pessoa que está ao nosso lado ou para com as pessoas que encontramos nos caminhos da vida, mas é preciso cuidar da própria vida.

Perdemos o cuidado com a vida quando nos entregamos à gula, comemos demais, em demasia, mais do que podemos, vamos nos inchando com os alimentos e, simplesmente, nos tornamos insensatos.

Segundo, cuidado com a embriaguez, não preciso nem mencionar a quantidade de pessoas que se perdem na vida, seja pelos excessos que praticam no comer ou no beber. Os excessos no beber levam tantas pessoas a sofrerem na embriaguez, na dependência do álcool e, às vezes, são incentivadas por outros: “Toma mais uma. Toma mais essa”.

Há pessoas que bastam beber só um pouquinho, que perdem a sensibilidade do natural, perdem a sensibilidade da razão. Há outros que bebem bastante e, não é porque você tem a capacidade de beber pouco ou muito que você pode se entregar à bebida.

Quantas pessoas estão virando dependentes crônicas do álcool sem perceber, vão bebendo e não conseguem mais viver sem tomar álcool. A alegria de uma festa é só se tiver bebida alcoólica; a alegria de uma reunião de família é só se tiver bebida alcoólica.

Se o que dá alegria para a sua vida é o álcool, é porque você é dependente dele e, de uma forma ou de outra, depender de alguma coisa torna a nossa vida insensata, sobretudo, tratando-se de comida e bebida, quando nos entregamos a esses excessos.

E, em terceiro, tão importante quanto a embriaguez e a gula, são as preocupações desmedidas, são as preocupações da vida. Há pessoas que vivem à mercê de suas preocupações.

As preocupações não resolvem problemas, mas trazem problemas, elas não nos dão a direção da vida, mas nos tiram da direção. Porque o excesso de preocupação gera a ansiedade, faz com que nos coloquemos de forma deslocada do real sentido da vida.

Ocupar-se com as nossas obrigações, compromissos e responsabilidades é fazer cada coisa do no seu tempo e ter a confiança de que Deus nos ajuda a resolver aquilo que precisamos resolver, mas com preocupações abalamos a nossa fé.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo