Gol

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Homilia Diária

20DEZ2018

O ventre de Maria é o lugar da contemplação, do silêncio e da espera

Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus”(Lucas 1,30-31).

Maria é a agraciada! Eu fico olhando para o mundo em que se celebra o Natal: há luzes, árvores de Natal, cartões, Papai Noel, mas não vamos à árvore primeira, pura, sem mácula, a árvore que gera a vida, aquela que nos traz a vida. Essa árvore fecunda, abençoada, pura e sem mancha, é a Virgem Maria. Quando o Anjo diz que ela é agraciada, toda cheia da graça, é porque o que vem dela é o que nos salva e redime. Por isso, o filho que sai dela se chama Jesus, porque Ele é o nosso Salvador.

Precisamos nos voltar, neste tempo de graça, para o milagre único e radiante que se realiza no ventre da Virgem Maria, dele brota o novo paraíso, a nova humanidade.

Uma humanidade para ser salva precisa de alguém que a resgate. Aquele que regasta e salva essa humanidade tem nome, chama-se Jesus, Ele brota e vem do ventre da Virgem Maria. Por isso, o mistério do Natal se esconde em Maria, se manifesta nela. As luzes que brotam e vêm para iluminar os nossos corações vêm do ventre de Maria. Por isso, paramos para contemplar, para reconhecer as grandezas d’Aquele que se faz pequeno no ventre de uma mulher.

Eu fico admirado quando vejo nossas mulheres engravidarem. Veja que beleza é a barriga da mulher quando vai crescendo! É a vida que vai se manifestando com o desejo de vir até nós.

Eu fico a contemplar Deus que desce do Céu, encarna-se no ventre de Maria e vem ao nosso encontro. Não há melhor lugar, não há melhor maneira de vivermos a intensidade, a espiritualidade, a mística natalina do que nos voltarmos para o ventre daquela que concebeu Jesus. Ali, o homem novo é gerado, a mulher nova é gerada, ali somos refeitos, recriados, entramos no paraíso que se perdeu com o pecado de Adão e com os nossos pecados.

O ventre de Maria é o lugar da contemplação, do silêncio, da espera e de saber aguardar. Vivemos nos tempos da ansiedade que toma conta do coração de todos os homens e mulheres. Maria irrompeu a ansiedade da história para se colocar na serenidade do Espírito para fazer do seu ventre o lugar da morada de Deus.

Queremos ver Jesus, contemplar o lugar de onde Ele veio.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Homilia Diária

19DEZ2018

Consagre seu filho a Deus, consagre-o para que, no mundo em que vivemos, ele possa crescer temente e obediente a Deus

Porque ele vai ser grande diante do Senhor. Não beberá vinho nem bebida fermentada e, desde o ventre materno, ficará repleto do Espírito Santo” (Lucas 1,15).

A história de Zacarias e de sua esposa Isabel nos mostra que um casal de Deus deve ser, acima de tudo, temente a Ele, colocar n'Ele a sua confiança, a sua esperança, mesmo quando nem a própria natureza corresponde. Um homem de idade avançada e e uma mulher também de idade avançada e estéril, mas ambos têm como graça principal servir a Deus dia e noite. Eles viviam numa sociedade que desprezava a mulher que não gerava filhos, mas a graça de Deus estava com eles, e não se deixaram atemorizar pelo desprezo nem pelo descaso humano. Colocaram-se nas mãos de Deus.

No momento que ninguém esperava e que, humanamente, era até impossível gerar um filho, o anjo visitou Zacarias, sacerdote do templo que servia o Senhor, e disse-lhe: “A sua mulher vai conceber um filho”, e ainda descreveu como seria esse menino, fruto da oração, do pedido e da súplica, e abençoado desde o ventre de sua mãe. Desde o ventre de sua mãe esse menino ficaria repleto do Espírito Santo.

Sabe qual é o desejo de Deus? Que todas as crianças, já no ventre de suas mães, fiquem cheias do Espírito Santo, fiquem repletas da graça de Deus.

Toda gravidez precisa ser uma dádiva divina, por isso, hoje, quero me unir ao coração de pais, mães, homens e mulheres que vivem a graça da espera de ter um filho, sejam os que a natureza lhes possibilita com muito mais naturalidade, sejam aqueles que encontram dificuldades de diversas ordens até para engravidar.

O primeiro passo para todos nós é sermos de Deus, sermos tementes a Ele, gerarmos o Senhor onde estivermos. Gere Deus no seu casamento, na sua vida matrimonial, e os frutos virão. Os filhos virão, os cuidados com as coisas de Deus, o serviço, o temor a Deus e ao Seu Reino virão acima de tudo.

Quem tem a graça de engravidar, consagre o seu filho a Deus, consagre-o para que, no mundo em que vivemos, ele possa crescer temente e obediente a Deus, amando-O sobre todas as coisas.

Por mais difícil que seja para alguns engravidarem, gerar filhos, os filhos em todos os sentidos são uma bênção, uma graça divina. Não se fecha o dom da maternidade e da paternidade aqueles que são chamados à graça do matrimônio, mas é preciso cuidar do filho antes que ele venha, antes da gravidez.

É preciso entregar Deus a cada uma das nossas crianças, porque, no mundo em que vivemos, o selo de Deus, a Sua marca e criação, o direcionar para Deus faz toda a diferença no mundo onde Ele e seus valores são rejeitados.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Homilia Diária

18DEZ2018

Recebamos Maria em nossa vida, na nossa casa, pois ela nos apontará a direção do Céu

“José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo” (Mateus 1,20).

Não há presença de Jesus no meio de nós sem a presença de Maria, a Mãe que O gerou e O trouxe até nós. Maria é a portadora de Deus, a portadora do Verbo divino. Ela é a primeira que colaborou de forma plena e total com o desígnio salvador de Deus, que é a encarnação de Jesus no meio de nós.

Humanamente, não é fácil de entender nem compreender, porque os desígnios divinos estão além da nossa compreensão humana, nem mesmo José entendeu. Até José ficou confuso, meio perdido sobre o que aconteceu, o que se realizava em Maria.

É por isso que o anjo se manifesta a José dizendo: “Não tenha medo, porque o que se realiza em Maria é ação do Espírito, por isso não tenha medo de recebê-la”. Para recebermos Jesus em nós, não podemos ter medo de receber Maria nem de amá-la.

Amar Maria é pecado? Que pecado Deus pode ter cometido? Porque Ele foi o primeiro que a amou profundamente e quis, inclusive, fazer morada nela. Amar Maria é amar os desígnios de Deus que se manifestam no ventre dela. Não tenhamos medo nem receio.

José a recebeu em sua casa. Receba Maria em sua casa, em sua vida. Muitos podem pensar: “Eu não preciso dela, eu vou direto a Deus”. Entretanto, Deus não veio direto a nós, Ele veio a nós por meio dela. Foi Deus quem escolheu esse caminho, é claro que poderia ter sido outro caminho, Deus é Deus e Ele tudo pode, nada é impossível para Ele. Mas Deus escolheu a mediação humana, e essa mediação tem nome, é a Virgem Maria. E nós nos voltamos agora para Deus e a mediação humana da dureza, da humildade, da entrega de Maria; é um caminho mais do que abençoado para chegarmos a Deus.

Eu recebi Maria em minha vida, ela me ensinou e ensina-me todos os dias a ser de Deus, a amá-Lo, a abrir meu coração para que Ele faça morada em mim, como habitou nela. Maria é aquela que faz de nós presépios vivos, não faz de nós apenas seres decorativos no processo divino salvífico. Maria nos aponta o caminho e a direção para amarmos a Deus sobre todas as coisas.

Recebamos Maria em nossa vida, na nossa casa, e ela nos apontará a direção do Céu.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Homilia Diária

17DEZ2018

Jesus veio para renovar toda a raça humana, e todas as gerações são renovadas n'Ele, pois Ele assumiu a nossa natureza

Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo” (Mateus 1,16).

Temos a graça de começar, hoje, a preparação próxima do Natal de Jesus Cristo. Daqui a uma semana, estaremos reunidos em nossas igrejas, capelas, em nossas casas e famílias para celebrarmos o Natal do Senhor.

A Palavra de Deus precisa guiar nossos passos, direcionar a nossa vida neste tempo de vivência para o tempo do Natal. Hoje, a Palavra nos coloca nas origens. A origem de Jesus foi assim: vamos a Abraão, a Isaac, a Jacó. Vamos perceber que a nossa origem não começa quando nascemos no ventre de nossa mãe. A nossa vida começa com os nossos antepassados, com todos aqueles que vieram antes de nós.

É importante reconhecer de onde Jesus veio. Desde o primeiro mencionado que é Abraão, nosso pai na fé, vieram homens santos, justos, piedosos, mas há também pecadores, traidores e adúlteros. Há diversas situações entre aqueles que foram os antepassados de Jesus.

Jesus veio para assumir a história humana, Ele veio para assumir a sua própria história, Ele veio para santificá-la, renová-la, porque, muitas vezes, uma história está caminhando para cá e a graça de Deus dá a direção de caminhar na direção correta por onde ela deve ir.

O que devemos fazer diante daquilo que nos apresenta a Palavra de Deus? Primeiro, precisamos assumir a nossa história, assumir quem somos, assumir a família que temos, os nossos antepassados, de onde viemos. Como é importante assumir a nossa história!

Segundo, deixar que nossa história seja curada, porque Jesus veio para curar, resgatar e salvar a história humana. Viemos, muitas vezes, de famílias abençoadas, famílias de tradição católica e religiosa, mas no meio de tudo isso há também tradições que não são. Há muita coisa mundana e profana na nossa própria história de vida. A graça de Deus santifica e renova todas as coisas, quando permitimos Deus entrar na raiz da nossa vida.

Deixe-se curar por Deus, deixe que tudo aquilo que são marcas no nosso interior, na nossa história, marcas de pecado, vícios, maus comportamentos que até herdamos. Precisamos, com a graça de Deus, santificar toda a nossa vida, e a santificação só acontece quando a história é assumida. A humanidade só é renovada quando se deixa tocar pela graça que veio para santificá-la.

Jesus veio para renovar toda a raça humana, e todas as gerações são renovadas n'Ele, pois Ele assumiu a nossa natureza. É preciso que a nossa natureza O assuma como Senhor, Salvador e Redentor, e permita que, independente da nossa história, Jesus entre nela e faça a diferença.

Faça isso na sua casa, na sua família e na sua história. Permita Jesus entrar com força para renovar, santificar e restaurar.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

domingo, 16 de dezembro de 2018

Homilia Diária

16DEZ2018

Superar a injustiça é sairmos de nós para irmos ao encontro do outro. Superar a injustiça é não nos fecharmos no nosso mundo

As multidões perguntavam a João: ‘Que devemos fazer?’” (Lucas 3,10).

A pergunta que as pessoas que acorriam a João Batista realizavam é também o questionamento que devemos fazer diante da Palavra de Deus que nos é apresentada: “O que devemos fazer?”.

Que precisamos nos converter é um fato, penso que nenhuma pessoa sensata tenha dúvida disso. O que devemos fazer para que a conversão aconteça em nós?

João está apontando o caminho de superar toda e qualquer injustiça, porque João respondia a todos que iam até ele: “Não tomai dinheiro a força de ninguém. Não façais falsas acusações. Sejam contentes com os vossos salários. Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem. Quem tiver comida, dê para quem não tem”. Nossa atitude deve ser, primeiro, reparar as injustiças que, muitas vezes, cometemos dentro de nossas casas, em nossas famílias.

Somos injustos quando falamos mal uns dos outros, quando não temos paciência um com o outro. Somos injustos quando não damos atenção que o outro merece de nós. Somos injustos quando deixamos os nossos sentimentos se basearem mais nos ressentimentos do que no sentimento do amor. Somos injustos quando não nos preocupamos com quem passa as diversas dificuldades da vida: os doentes, os enfermos, os pobres, os famintos, aqueles que estão desamparados pela vida.

Não podemos ficar cuidando da nossa vidinha, das nossas coisas, das nossas contas e despesas. Superar a injustiça é sairmos de nós para irmos ao encontro do outro. Superar injustiça é não se fechar no nosso mundo, mas nos abrirmos para os horizontes da realização humana mais plena que é a convivência de uns com os outros.

O Evangelho de hoje é um convite para nos abrirmos para Jesus. João estava batizando com água, mas ele mesmo disse: “Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu batizo com água, eu não sou digno nem de desamarrar as correias de suas sandálias, porque Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”.

Quando Jesus nos batiza no Seu Espírito e o fogo d’Ele acende em nós, somos impelidos para a caridade. Muito cuidado para não achar que o fogo do Espírito é somente para orarmos em línguas ou para profetizarmos.

O fogo do Espírito arde em nós como ardeu no coração de João, e ele estava ali reparando as injustiças humanas. Quando o espírito arde em nós, tornamo-nos justos, queremos que a justiça aconteça e estamos buscando viver a verdade, por mais incômoda que seja.

Permitamos que esse Espírito, que esse fogo abrasador que vem do Alto nos impila, leve-nos adiante para cuidarmos uns dos outros.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

sábado, 15 de dezembro de 2018

Homilia Diária

15DEZ2018

Ainda que sejamos de Deus por um tempo, que já participemos das coisas d’Ele, é sempre necessário que esse fogo esteja ardendo em nós

Naqueles dias, o profeta Elias surgiu como um fogo, e sua palavra queimava como uma tocha” (Eclo 48,1).

A Palavra de Deus exalta para nós a figura do profeta Elias. Quando olhamos no Antigo Testamento, Elias é para nós o referencial do profetismo exercido na primeira revelação divina.

Elias veio como um fogo divino, tinha um coração abrasado pela graça de Deus, tomado pelo fogo do Céu, e deixou que esse fogo consumisse o seu coração. O fogo do amor, do ardor, o fogo de alguém que se deixou consumir por Deus e pela Sua Palavra.

Quando Elias falava, a Palavra de Deus saía de sua boca. Ele, realmente, fazia os pecados serem queimados, fazia as consciências arderem de arrependimento e voltarem para o caminho do Senhor.

Elias foi arrebatado aos Céus, e o povo viveu na expectativa de que ele voltasse. Jesus, no entanto, está dizendo hoje: “Elias voltou e vocês não o reconheceram”. João Batista personifica e traz para nós o que é o profetismo de Elias na nova revelação ou na revelação definitiva.

Se Elias é considerado o profeta do Antigo Testamento, João é o profeta do Novo Testamento. Se Elias abriu o coração para que acolhessem a mensagem de Deus, João é aquele que vem para abrir e queimar os corações para que acolham Jesus, a Palavra eterna e a sabedoria encarnada de Deus no meio de nós.

Profetas não são aqueles que simplesmente falam de Deus, mas aqueles que levam Deus ao coração das pessoas, primeiro, pelo arrependimento sincero, pela conversão de vida e a entrega do coração a Deus. Todo profetismo prega arrependimento, mudanças de atos, costumes, pensamentos e sentimentos.

Todo profetismo vem queimar nossos corações, não nos deixa acomodados no estado em que estamos. Ainda que sejamos de Deus por um tempo, que já participemos das coisas d’Ele, é sempre necessário que esse fogo esteja ardendo em nós, que penetre o nosso interior e vá nas penumbras da nossa alma e acenda um desejo sincero de conversão, de arrependimento e entrega da vida a Deus.

Esse tempo de graça que vivemos é um tempo que nos convida a mudarmos, a deixarmos que o fogo de Deus esteja ardendo dentro de nós.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Homilia Diária

14DEZ2018

Não podemos fazer das nossas decepções desculpas para não nos comprometermos com Deus e com Seu Reino

Veio João, que nem come nem bebe, e dizem: ‘Ele está com um demônio’. Veio o Filho do Homem, que come e bebe e dizem: ‘É um comilão e beberrão, amigo de cobradores de impostos e de pecadores’” (Mateus 11,18).

Os homens da época de Jesus deram diversas desculpas para aceitá-Lo ou não. Não importa a modalidade de vida que estavam vivendo, porque, como Jesus mesmo disse: “Veio João, aquele homem penitente, austero, de vida acética, mas diziam: ‘Ele é um demônio. Esse comportamento dele é estranho’. Veio Jesus, que estava com os pecadores, comiam, visitava as casas das famílias e diziam: ‘É um comilão e beberrão’.

Quando não queremos nos encontrar com a verdade ou quando a verdade nos incomoda, temos qualquer desculpa para fugir do confronto com ela, vamos sempre culpando, criticando, vendo sempre o erro nos outros. A incapacidade que temos de fazer autocrítica, de nos conhecermos de verdade e de nos voltarmos para o nosso interior nos leva a estarmos sempre buscando a culpa e a desculpa nos outros, o problema é sempre o outro. “O problema é aquele padre. O problema é a igreja. O problema são as pessoas da igreja. Eu não vou mais, porque lá está cheio de pessoas falsas”.

Quando não queremos de verdade, quando não queremos nos comprometer, quando não queremos nos conhecer de verdade, não queremos nos entregar para o Reino de Deus ou para os outros compromissos que a vida exige de nós, é mais fácil arrumarmos desculpas e vivermos exaltando essas desculpas e as colocando como as grandes responsáveis pelas decisões que tomamos de nos afastar, de não trabalhar, de não nos comprometermos quando, na realidade, poderíamos parar para buscar a verdadeira saberia que vem de Deus, a qual se encontra nos corações humildes, que reconhecem os seus próprios limites e sabem reconhecer a graça de Deus e onde estão os limites e fraquezas humanas.

Não podemos viver de desculpas para cá ou para lá, não podemos fazer das nossas decepções, das nossas mágoas, dos nossos ressentimentos e rancores culpas e desculpas para não nos comprometermos com Deus e com seu Reino. Ele está no meio de nós, precisamos abraçá-Lo, assumi-Lo, entregar a nossa vida e deixar que Ele cuide de nós e direcione o nosso viver.

Ainda que o humano cause decepções, o nosso humano também causa decepções nos outros. Buscamos corrigir a nossa humanidade a partir d’Aquele que se fez humano por nós para levar a nossa humanidade para junto de Deus. Estejamos com Ele e n’Ele, pois Ele cuida de nós.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Homilia Diária

13DEZ2018

O que nos faz grandes ao coração de Deus é nos tornarmos pequenos e insignificantes

Em verdade eu vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele” (Mateus 11,11).

A Palavra de Deus, hoje, exalta a figura de João Batista, aquele que batizava. Era muito mais do que aquilo ele fazia além do Jordão, levando as pessoas à conversão, à mudança; ele, na verdade, trazia um batismo de transformação de vida.

João era um convertido, um homem todo de Deus desde o ventre de sua mãe. Ele viveu a graça de ser todo de Deus, santificado ainda no ventre. Por isso, o Evangelho exalta que entre os nascidos de mulher não houve ninguém maior do que João; maior na importância e no profetismo. João é aquele que encerra o profetismo do Antigo Testamento e abre as portas para a profecia do Novo Testamento.

O mesmo Evangelho que o exalta coloca uma outra condição ao nos dizer que o menor no Reino dos Céus é maior do que João. Veja que o Reino dos Céus não é para os grandes, mas para os pequenos.

João era pequeno e se fazia cada vez menor. Ele mesmo dizia a respeito de Jesus: “Convém que Ele cresça, que Ele apareça, que Ele seja exaltado" e que eu desapareça, que eu diminua, porque quem se põe a ser de Deus não se põe para ser grande, o mais importante ou o exaltado, muito pelo contrário, se põe na condição de ser o menor, de ser até aquele que é tido como insignificante, sem importância nenhuma, porque esse é o mais importante no coração de Deus.

Vivemos um tempo em que o sentimento de grandeza, de importância, valorização e exaltação das pessoas tomam conta dos sentimentos humanos porque, muitas vezes, se deixam levar por esse sentimento quando experimentam a depreciação, a crítica, a desvalorização, e caem no vazio existencial, mergulham, muitas vezes, numa depressão, estão com o coração tomado por uma angústia sem nome e sem proporção, porque vivem à mercê da valorização.

O valor que temos está no coração de Deus, e para descobrir o nosso valor precisamos rebaixar o nosso orgulho, a nossa soberba, esse sentimento de grandeza que, muitas vezes, toma conta de nós.

Deus quer que sejamos maiores do que João Batista. Não precisamos pregar mais do que ele nem fazer mais penitências do que ele, não precisamos realizar todas as obras que ele fez, porque ele fez a sua missão.

Podemos realizar a nossa missão, assumir as nossas responsabilidades, mas é essencial a humildade e a pequenez.

Não faça nada com espírito de orgulho e soberba, você pode até pregar o Evangelho no mundo inteiro, mas se o que o motiva é o orgulho, para Deus é depreciativo o que você faz.

O que nos torna grandes ao coração de Deus é nos tornarmos pequenos e insignificantes. Convém que Jesus cresça e que nós sejamos cada vez menores.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Homilia Diária

12DEZ2018

Supliquemos a Mãe de Deus que Ela venha socorrer a nossa pobreza, a nossa miséria mas, sobretudo, a nossa falta de fé

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?” (Lucas 1,42-43).

A expressão de alegria, contentamento e jubilo que vem do coração de Isabel é o contentamento daquela que teve a visita, o encontro com a Mãe do Senhor. Quando Maria sai de onde Ela está e vai ao encontro do outro para levar o Senhor, porque Ela é a portadora do Céu, Ela traz em si o filho eterno de Deus. Assim, como Ela foi levar Jesus para Isabel, veio trazer Jesus para a humanidade, Ela, também, nos visita.

Hoje, temos a graça de celebrar Nossa Senhora de Guadalupe. O continente pobre, sofrido e marcado pelas desigualdades sociais teve a graça de receber uma visita celeste única, de cuidado, de ternura e amor que chamamos de Senhora de Guadalupe.

O indígena, Juan Diego, representa todos os povos desse continente, afinal de contas, eles eram os primeiros habitantes desse lugar. Eles foram saqueados, roubados, maltratados; e a Mãe do Céu foi dizer a Juan Diego e a cada habitante desse continente: “Eu sou sua mãe. Eu estou contigo”, em outras palavras: “O Céu está do nosso lado. O Céu vem em nosso socorro, mesmo quando estamos explorados, maltratados, mesmo quando vemos reinar no meio de nós tantas injustiças e desigualdades".

Não podemos perder o referencial do Céu. Se não buscamos o Céu, ele desce até nós para que não percamos a visão do sobrenatural. A aparição em Guadalupe, ainda no século XVI representa uma visão celeste extraordinária. Todos os sinais de Guadalupe revelam para nós uma manifestação milagrosa do amor de Deus neste povoado de Guadalupe, que se estende por todo o continente latino-americano.

Supliquemos a Mãe de Deus que Ela nos visite, que venha ao nosso encontro, que venha socorrer a nossa pobreza, a nossa miséria mas, sobretudo, a nossa falta de fé. Não nos percamos nas angústias da vida, nas tristezas e nas situações tenebrosas que, muitas vezes, passamos, sobretudo, os mais pobres, os mais sofridos e os mais desamparados. Encontremos em Maria o refúgio seguro do Céu.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Homilia Diária

11DEZ2018

A alegria de Deus é encontrar o que está perdido; a alegria do coração d'Ele é reencontrar cada uma de Suas ovelhas

Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam” (Mateus 18,13).

Há mais alegria no coração de Deus com o encontro do que com aqueles que estão em Deus e, muitas vezes, não se encontram no colo d’Ele. A alegria do Senhor é encontrar o que está perdido, a alegria do coração d'Ele é reencontrar cada uma de Suas ovelhas.

Existem, talvez, noventa e nove ovelhas acomodadas, felizes, porque estão na Igreja, porque estão na casa de Deus, porque participam dos movimentos da Igreja, porque fazem seus serviços, mas não se incomodam com a ovelha que está perdida. Ou, talvez, traduzindo o que o Papa Francisco traz para os nossos dias: hoje, temos algumas ovelhas na casa do Senhor e outras noventa e nove longe precisando ser encontradas.

Não podemos regozijar somente por nós: “Porque nós encontramos o Senhor. Porque nós estamos na casa do Senhor”. O trabalho do pastor é encontrar o que está perdido.

Encontramo-nos, muitas vezes, perdidos mesmo estando na casa de Deus, mesmo estando no serviço do Senhor. Se estamos perdidos, Deus está procurando nos encontrar, está buscando o que está perdido em nós, onde está o fio condutor e a direção da nossa vida.

Às vezes, acontecem coisas, situações que nos entristecem, desfavorecem e frustram a nossa vida e o nosso coração, mas não podemos perder a direção, não podemos perder a luz. A luz e a direção da nossa vida tem nome, chama-se: Jesus. É preciso estar com Jesus, não basta saber d’Ele, é preciso conviver e estar no coração de Deus. Esse é, na verdade, o grande movimento da nossa alma: todos os dias procurar o Senhor e deixar-se ser encontrado por Ele.

Deus está nos procurando em tudo aquilo que estamos fazendo e realizando no nosso trabalho, na nossa casa, na nossa família, nos negócios, naquelas situações mais pessoais que vivemos, sobretudo, nos nossos afetos e nas nossas emoções.

Quantas vezes nos perdemos no mundo emocional, nos confundimos em meio a tantas emoções da vida, e é preciso a sobriedade de espírito para poder se encontrar e não se perder nos caminhos da vida. Ao mesmo tempo em que procuramos nos encontrar com o Senhor e Ele nos encontrar, precisamos procurar os que estão mais distantes dos caminhos d’Ele. Precisamos alargar os horizontes do nosso coração para irmos ao encontro do outro, para nos alegrarmos com aquele que volta, para fazermos festa com quem está distante. Não há celebração do Natal sem a ovelha perdida voltando para se encontrar com o Senhor.

Que aquilo que está perdido em nós tenha a graça do encontro com a verdade de Deus e, ao mesmo tempo, os que estão perdidos e distantes d'Ele tenham a graça de se encontrar com a luz e com a verdade que se chama Jesus.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo