Gol

domingo, 10 de março de 2019

Homilia Diária

10MAR2019

Deus, pelo Seu Espírito, nos conduz ao deserto para nos purificar de tantas coisas que não correspondem à vontade d’Ele em nossa vida

“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e, no deserto, Ele era guiado pelo Espírito. Ali foi tentado pelo diabo durante quarenta dias” (Lucas 4, 1-2).  

A liturgia de hoje nos coloca em comunhão com a Quaresma de Jesus. Por quarenta dias Ele foi conduzido pelo Espírito ao deserto, e, no deserto, o Espírito o conduzia.

Aqui, é muito importante tomarmos consciência disso, pois o Espírito Santo nos conduz até o deserto porque ele é necessário. O deserto é o lugar do encontro consigo mesmo; é o lugar do esvaziamento; é o lugar onde nos enchemos e nos preenchemos pela graça de Deus.  

Mas quando nos colocamos para ir ao deserto, enfrentaremos tentações. Jesus não tinha o mal dentro de si, era o mal externo que o impelia. Mas, dentro de nós há muitos demônios que não querem sair da nossa vida. Demônio da acomodação, da gula, dos prazeres, do egoísmo, da soberba, da vontade própria. Precisamos ir para o deserto para combater aos demônios que atormentam a nossa vida; para purificar a nossa alma e o nosso coração.

Somos tentados quando queremos expulsar esses demônios de nós, porque eles não querem sair da nossa vida. Porém, se nos deixarmos ser guiados pelo Espírito, no poder da Palavra combateremos as tentações da nossa vida. Neste tempo de graça, somos chamados a não somente deixar de comer e fazer uma penitência, mas também, somos chamados a combater o mal.

Jesus combateu o mal da tentação, do prazer, da gula. O homem de Deus não vive só do que come, dos prazeres desta vida, e sim daquilo que é a Palavra de Deus. Por isso, o sentido primordial para nos encontrarmos com a nossa espiritualidade é o de nos voltarmos inteiramente para a Palavra de Deus. Precisamos deixar que ela guie e direcione a nossa vida.

Jesus, lá no deserto, foi levado pelo demônio para ser tentado pela grande tentação do ter, do poder. Quem de nós não quer ter tudo? Quem de nós não é tentado pelo consumismo, pelo desejo de possuir? Está lá dentro suscitando a cobiça. Precisamos vencer a esse demônio terrível que, muitas vezes, está dentro de nós e quer nos impelir para que vivamos à margem do consumo. A pessoa, hoje, não se mede pelo o que ela é, e sim por aquilo que ela tem. É a tentação dos tempos em que vivemos.

Há outra tentação que é a de desonrar o nome de Deus, ou ainda, tomar o nome d'Ele em vão. O demônio convida a Jesus para se lançar, e assim Deus poderia o socorrer. Colocar Deus à prova, colocar Deus de formas desnecessárias até nas práticas erradas que fazemos e, depois, jogar tudo para cima d’Ele é uma terrível tentação.

É uma tentação terrível elevar a vida em nome de Deus, em tudo colocar Deus, mas as práticas não corresponderem à vontade d’Ele. Por isso, Jesus diz: “Não tentarás o Senhor, Teu Deus”.

Não tentemos colocar Deus onde Ele não está e não tentemos instrumentalizá-Lo para as nossas necessidades, onde jogamos tudo para cima d’Ele. Deus, pelo Seu Espírito, nos conduz ao deserto para nos purificar de tantas coisas que não correspondem à vontade d’Ele em nossa vida.

Deus abençoe você!              

 

                              

 Padre Roger Araújo

sábado, 9 de março de 2019

Homilia Diária

09MAR2019

O essencial, naquilo que Jesus nos trás, é o chamado à conversão

“Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão” (Lucas 5, 31-32).

Quem não é capaz de escutar ao chamado de Jesus à conversão, de fato, não precisa de Jesus. Porque Ele não apenas nos chama à conversão, Ele cuida do nosso pecado. Pois, muitas vezes, nós não sabemos e nem damos conta de lidar com ele. O pecado, por vezes, torna-se maior do que nós, desde o menor pecado que entrou em nós, do menor egoísmo até as diversas facetas da soberba e do orgulho na nossa vida pessoal.

O bom médico, Jesus, veio cuidar da nossa enfermidade. Quem está sadio, justo, santo; quem se acha Deus certamente não precisa d’Ele. Por isso, o encontro do Senhor é com os pecadores. E, por esse motivo que, ao ver um homem na banca de cobrança dos impostos, ou, em outras palavras, o lugar onde ele cometia as falcatruas, fazia seus atos de corrupção, Jesus o chama. Pois, Ele não faz acepção de pessoas, não tem menor pecador ou grande pecador, pois Ele chama a todos.

Na situação em que nos encontramos, Ele nos chama: “Vem”. E assim Ele chamou a Levi, assim Ele me chama e chama a você “Venha”. E Levi deixou tudo e O seguiu. E, deixar tudo é, acima de tudo, deixar mesmo. É deixar aquilo a que somos apegados, aquilo que tem nos seduzido e amarrado, para que Jesus realmente possa cuidar de nós.

Jesus foi comer na casa de pessoas vistas como pecadoras, porque Ele vai atrás para cuidar, no lugar onde o pecador se encontrar. Ele vai atrás de nós onde estivermos e, se permitirmos, Ele nos arrancará do caminho de pecado que estejamos vivendo. Então, deixe-se converter! Deixe, acima de tudo, o convite de Jesus (para seguir a Ele) chegar docemente ao seu coração. Mas responda prontamente ao desejo de segui-Lo e não mais viver no caminho do pecado.

Quaresma é um tempo de graça; é um caminho a ser percorrido. E o caminho que agora percorremos é o de mudar a rota da nossa vida que, muitas vezes, se dirigia para a nossa forma egoísta e orgulhosa de pensar. E, humildemente, queremos pensar nos pensamentos, nos sentimentos de Jesus, e nos arrepender das nossas faltas e pecados. Deixemos que a Palavra d’Ele cure as nossas insanidades, pecados e todo mal que está em nós.   

Deus abençoe você!                  

                                  

Padre Roger Araújo

sexta-feira, 8 de março de 2019

Homilia Diária

08MAR2019

O jejum tem um significado purificador e renovador

“É porque, ao mesmo tempo que jejuais, fazeis litígios e brigas e agressões impiedosas. Não façais jejum com esse espírito, se quereis que vosso pedido seja ouvido no Céu. Acaso é esse jejum que aprecio, o dia em que uma pessoa se mortifica?” (Isaías 58, 4-5).

Faz parte das práticas penitenciais do tempo da Quaresma e da vida de um cristão: a prática do jejum.  Ele é uma excelente mortificação para a alma, para o corpo e para o Espírito. Ele é uma resposta que damos à escravidão dos prazeres que, muitas vezes, vivemos na sociedade; inclusive, o prazer de comer, dos sentidos e assim por diante.

Jejuar é colocar um freio nos nossos apetites que, por vezes, se tornam imoderados; é mesmo uma forma de moderação interior.

Agora, se levarmos o jejum apenas como sacrifício para a fé, ele não terá nenhum valor. O sacrifício pelo sacrifício é apenas um sacrifício. Pessoas que jejuam porque querem emagrecer e estarem bem de saúde é outra coisa. Já, aqui, falamos do jejum em sua dimensão espiritual, como forma de oração e de relação com Deus.

É a dádiva que oferecemos a Deus. Assim como oferecemos a Deus a nossa vida, agora oferecemos a Ele o nosso coração, as nossas inclinações; oferecemos o nosso “apetite” de vida para Deus. Por isso, o jejum deve ser feito não apenas deixando de fazer um refeição, e sim nos oferecendo a Deus.

Jejuar tem um significado purificador e renovador. Veja bem, na Primeira Leitura que ouvimos hoje, Isaías nos diz: “Esse é o jejum que me agrada? Passar um dia se mortificando? Sendo que, neste dia, vocês promovem brigas, litígios, desentendimentos e conflitos”.

O jejum é para nos purificar dos conflitos não resolvidos dentro de nós, e não são poucos. Muitas vezes, não brigamos externamente com o outro, mas dentro de nós temos muitas coisas mal resolvidas uns com os outros. Jejuar é o remédio para nos purificar do nosso orgulho e da nossa soberba. É o remédio para nos colocar na via da humildade; nos ajudar a reconhecer onde precisamos melhorar, rever, onde, de fato, precisamos dialogar e, sobretudo, ouvir.

O jejum é para "frear” o nosso orgulho e nossas imoderações interiores. Então, espiritualmente, tem um valor muito sagrado. Façamos jejum hoje e nos dias da Quaresma (que nos são possíveis) com este espírito, graça: nos dedicarmos à oração para nos purificarmos daquilo que tanto precisamos.

Por outro lado, o jejum é sempre ligado à caridade. Ora, aquilo que deixamos de comer, simplesmente não deixamos por si só, pois precisamos nos lembrar, nos recordar e tomar consciência daqueles que não têm o que comer. Existem pessoas que jejuam todos os dias da vida, mas são incapazes de ajudarem a um pobre, a um faminto. A carne que deixamos de comer hoje, é a carne com qual podemos alimentar quem não a tem quase nenhum dia da vida.

O jejum é para acender, em nós, a lâmpada da caridade que, muitas vezes, está apagada, porque estamos preocupados apenas com as nossas coisas.

Deus abençoe você!

  

    

 

                                    

Padre Roger Araújo

quinta-feira, 7 de março de 2019

Homilia Diária

07MAR2019

Sigamos a Jesus com todo o nosso amor e de todo coração

“Jesus disse a todos: ‘Se alguém Me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-Me’” (Lucas 9,23).

Jesus está dizendo para todos que quiserem seguir-Lo que é preciso entrar na disciplina do Evangelho. E seguir Jesus significa ir mesmo atrás d’Ele, tornar-se verdadeiramente Seu discípulo. E ser discípulo d'Ele é exigente, não basta dizer que foi batizado, ir à Missa aos domingos, carregar uma cruz no peito, ter uma medalha de Nossa Senhora, porque esses são apenas adereços.

Para seguir Jesus é preciso entrar na disciplina do Evangelho. A primeira é a capacidade de renunciar, mas renunciar a si mesmo. Porque somos muito cheios de nós: nossa vontade, nosso desejo, nosso orgulho e egoísmo. Geralmente é no singular “a minha” vontade; o que “eu” quero.

Os dissabores da vida humana, do relacionamento familiar, conjugal, entre amigos, dos relacionamentos na casa de Deus, acontecem por causa do dissabor do “eu”, por estar sempre à frente do nós.

Para seguir Jesus a escola não é só para um, a escola é para todos os filhos de Deus. Então, se não sou capaz de vencer o meu egoísmo, a minha tendência ao individualismo, não conseguirei seguir a Jesus de todo o meu coração.                           

"Quem quiser Me seguir, precisa tomar  a sua cruz a cada dia". Jesus carregou a cruz d’Ele e nós carregamos a nossa . Eu carrego a minha cruz de cada dia, você carrega a sua de cada dia.

E a vida é uma cruz, uma via crucis, e precisamos purificar a compreensão do sentido da cruz. Cristo carregou a Sua cruz, o Seu madeiro que, para uns, representava a maldição, mas ela nos salvou. Abraçar a minha cruz de cada dia, é abraçar a minha salvação.

Tem horas que a cruz pesa e não temos força. Jesus teve ajuda para carregar a cruz e, também, precisamos de ajuda e de ajudar uns aos outros. O que não podemos é abandonar e renegar a nossa cruz, amaldiçoá-la.

Precisamos, muitas vezes, lidar com os nossos próprios limites da condição humana, da saúde, financeiros, limites de situações adversas. Lide com tudo isso e com espírito evangélico. Quando tiver pesado e não tiver dando conta, não se isole. Fique irmanado com Deus e com a graça d’Ele, como irmãos que precisam ajudar uns aos outros a carregarem a sua cruz de cada dia.

Mas siga a Jesus de todo coração e com todo amor. Não se deixe enganar por falsos caminhos, pois Ele é o nosso Mestre. Renunciando a nós, abraçando a nossa cruz, iremos atrás do nosso Divino Salvador.  

Deus abençoe você!                     

 

Padre Roger Araújo

quarta-feira, 6 de março de 2019

Homilia Diária

06MAR2019

Que este Tempo Quaresmal abra as portas do nosso coração, para que nela a graça do Senhor

“Agora, diz o Senhor, voltai para Mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; Ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia”(Joel 2, 12-13)

Começamos, hoje, com a Quarta-Feira de Cinzas, o tempo da graça, o Tempo Quaresmal. E a Palavra de Deus nos faz um convite muito explícito, nos convida a voltarmos para o Senhor, nosso Deus. E, nos voltarmos para o Senhor, é nos voltarmos inteiros para Ele. Podemos até dizer: “Eu nunca me afastei do Senhor”, mas não está inteiro n’Ele, não está mergulhado n’Ele.

Agora é o tempo favorável, agora é o tempo da graça. É a hora e o tempo de Deus realizar, em nosso coração, a conversão de que tanto precisamos. Seja do pecador que está longe, distante; seja de quem se sente menos pecador e um pouco mais santo; sempre existem reparos a serem feitos em nossa vida e em nossa espiritualidade.

"Rasgai o vosso coração"

Primeiro, aquilo que orienta a Palavra: “Rasgai o vosso coração, e não as vestes”. O povo, muitas vezes, rasgam as vestes, andam até sem elas, como andaram nesses dias todos de carnaval. Mas o importante não é isso, o importante é o coração aberto, rasgado, dilacerado, para que, ali, a graça de Deus possa acontecer.

“Voltai-vos para mim, com jejuns e lágrimas”, tanto uma coisa quanto a outra são importantes. As lágrimas do arrependimento, alguém já disse que não sejam “lágrimas de crocodilo” mas que sejam lágrimas de sinceridade, de contrição, de tomada de consciência.

Por isso, esse tempo da graça precisa ser vivido na intensidade do significado que tem para a nossa conversão. Não podemos abrir mão da penitência, ou seja, reparar os males da vida para compreendermos a direção à qual a nossa vida pode vir a andar.

Que este Tempo Quaresmal abra as portas do nosso coração, para que nela a graça de Deus possa entrar. E, com toda a intensidade da nossa alma, nos voltemos para o Senhor, porque Ele quer nos conduzir neste tempo de graça. Uma boa Quaresma para todos nós!

Deus abençoe você!

 

                

    

Padre Roger Araújo

terça-feira, 5 de março de 2019

Homilia Diária

05MAR2019

Retire-se para encher da graça e, cem vezes mais, Deus te dará a graça para cuidar daquilo que é o seu dever

“Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de Mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida (Marcos 10, 29-30).

Talvez tenhamos ouvido esse Evangelho sempre no tom da radicalidade, de quem deixa tudo por causa de Jesus e do Seu Evangelho. Quem deixa sua vida para seguir uma vida consagrada, uma vida toda entregue a Deus, e segue a Ele, é óbvio que será muito mais livre e disponível.

Como louvo a Deus pela minha vocação, escolha; por ter deixado, ainda na adolescência, meus sonhos e ideais, a minha casa, a minha mãe, meus irmãos. E Deus me deu cem vezes mais: os irmãos, os filhos; a graça dos pais e das mães, de tantas pessoas que me assumiram e me adotaram. E, desse modo, cada um que vive a sua entrega a Deus, poderá experimentar essa graça.  

Mas, aqui, há uma dimensão que todos precisam viver em sua vida, a dimensão da entrega, da renúncia. Dimensão essa que precisamos aplicar até no contexto da vida familiar. Pois, só assumo integralmente aquilo que sou capaz de entregar. Você só poderá ser um bom marido, uma boa esposa; um bom pai, uma boa mãe para os seus filhos, se for capaz de entregar os seus filhos aos cuidados de Deus.

Mas, cuidado! Entenda bem essa reflexão. Pois, entregar não quer dizer que tenha de abandonar, porque a responsabilidade é sempre sua. Nenhum pai, nenhuma mãe, nenhuma pessoa ajuizada pode deixar as suas responsabilidades por nenhuma obrigação de Igreja, e jamais use isso como justificativa.  Apenas é necessário saber significar as coisas.

Ter o tempo que é de Deus e ser d'Ele neste tempo. Ter momentos em que você, mãe, após colocar seus filhos para dormirem; se dedica a ser toda de Deus; e o homem. também, todo de Deus. Porque esse tempo que você deixa para Deus, é o tempo necessário para se reabastecer, para ser cem vezes mais capaz de amar seus filhos, sua esposa (o). Para ser, cem vezes mais, capaz de dedicar-se para o outro, que é a sua primeira responsabilidade.

Mas, não nos esqueçamos de que precisamos, muitas vezes, deixar para poder assumir; deixar para nos abastecer. Precisamos nos afastar para estarmos mais próximos; precisamos da graça da dinâmica evangélica para sermos melhores naquilo que precisamos realizar.

Não é fuga. Não é abandonarmos as nossas responsabilidades, e sim assumi-la cem vezes melhor, com a graça de Deus. Tem mãe que não está dando mais conta de cuidar dos filhos; tem esposa não dando conta do casamento. Têm pessoas que não têm dado mais conta de cuidar nem dos próprios pais. Então, abasteça-se! Retire-se para encher da graça e, cem vezes mais, Deus te dará a graça para cuidar daquilo que é o seu dever, suas obrigações e responsabilidades.

Que cem vezes mais, Deus abençoe você!

                                              

Padre Roger Araújo

segunda-feira, 4 de março de 2019

Homilia Diária

04MAR2019

“Volta! Regressa do mal caminho"

“Aos arrependidos Deus concede o caminho de regresso, e conforta aqueles que perderam a esperança, e lhes dá a alegria da verdade. Volta ao Senhor e deixa os teus pecados, suplica em sua presença e diminui as tuas ofensas” (Eclesiástico 17, 20-22).

A Palavra de Deus jogada, hoje, em nosso coração, é uma advertência de Deus a nós. Não deixemos crescer as ofensas entre nós, e as ofensas que são dirigidas a Deus com os nossos pecados, nossa rebeldia, nosso coração inconstante, insensato e, muitas vezes, insensível à graça de Deus.

Volta! Arrepende-te dos teus pecados, dos teus crimes, dos males que tens praticado na tua vida. Volta! Porque o Senhor, nosso Deus, tem o coração benigno. Ele quer nos ajudar a traçar um caminho de regresso, de volta. Porque, quando um caminho de pecado se abre em nossa vida, começamos a percorrê-lo devagar e, muitas vezes, ele torna-se sem volta. Pois andamos muito para a frente e perdemos a dimensão da graça.

Então vamos indo, achando que não é nada, que é algo muito simples. “Não estou fazendo nada demais, sou um ser humano, tenho as minhas fragilidades" e, desse modo, entrego-me ao caminho de pecado, o percorrendo. E, quando não mais me percebo, perco sensatez da graça. Não sou capaz de reconhecer o que é certo e o que é errado, porque comecei a enveredar-me no caminho errado.

Não pense que uma mentira é, simplesmente, uma mentira. Pois, se começo a me enveredar pelo caminho da mentira, deixando o meu coração e acostumando-me a contar mentira, vivendo a via da mentira, então, será difícil regressar.

Por isso, no ponto em que estiver, na situação em que se encontra, mesmo se enveredou-se em algum caminho de pecado, regresse agora. Se deixou sua alma ser tomada pelos maus sentimentos, por algum sentimento pernicioso; se deixou envolver-se por algum sentimento de infidelidade, de adultério, de fazer mal ao outro, retome desse caminho agora. Porque, se prosseguir nele, você se afundará e não perceberá o buraco que está entrando.

O pecado é assim: no início parece algo muito simples, comum; depois nos puxa, nos retém, até nos prender e nos manter reféns dele, cativos a ele. Por isso, o Senhor nos chama agora. Ele está clamando: “Volta! Regressa do mal caminho. Eu tenho o perdão e a misericórdia para oferecer ao teu coração".

Deus abençoe você!                                            

Padre Roger Araújo

domingo, 3 de março de 2019

Homilia Diária

03MAR2019

Aquilo que sai da boca da pessoa em seu dia a dia, revela o que está no coração dela 

“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração. Mas o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio” (Lucas 6,45).

No Evangelho de hoje, Jesus está dando muito conselhos aos seus discípulos por meio de parábolas. Ilustrando, sobretudo, que um cego não pode guiar outro cego, porque ambos cairiam em um buraco.  

Nós, muitas vezes, estamos cegos porque achamos que sabemos tudo. Então, nos falta aquela humildade necessária para saber que precisamos aprender com Deus aquilo que, de fato, devemos ser. Sendo assim, é essencial cuidar do coração, das coisas que temos dentro dele.

O Evangelho nos explica que o coração é como uma árvore. Uma árvore boa dá bons frutos e, é óbvio que, uma árvore estragada não dá bons frutos. Então, é essencial o cuidado com o nosso coração, para que os bons frutos possam ser colhidos, revelados e saboreados.

"O homem bom só pode tirar coisas boas do bom tesouro que é o seu coração"

A primeira leitura do Livro do Eclesiástico nos mostra que a virtude do homem se revela no seu falar. Não julgue quem é uma pessoa sem antes escutá-la. E, escutar aquilo que sai da boca dela, não é escutar o que ela fala como retórica, e sim o que fala em seu dia a dia. Porque aquilo que sai da boca da pessoa em seu dia a dia, revela o que está no coração dela.  

Ora, uma pessoa que só critica tudo, que vê mal em tudo, é sinal de que muita coisa está mal dentro dela mesma. Uma pessoa que vê tudo sob o olhar do azedume, da amargura, é porque o coração está com muita coisa azeda, amarga. Ora, de uma boca que o tempo todo só sai fofoca, só fala da vida dos outros, é sinal de que a pessoa não cuida da sua própria vida, não tem autocrítica e não se conhece.

Nós nos revelamos a partir daquilo que falamos. E até o nosso silêncio revela aquilo que somos. Então, não é só uma questão de cuidar da língua, porque a boca vai soltar aquilo que temos dentro do coração.

Como é importante cuidar daquilo que está dentro de nós! Muitas vezes, acumulamos ressentimentos, mágoas, rancores. Acumulamos decepções ora aqui, ora acolá; e isso vira dentro nós uma “massa”, um “bolo” perigoso. Às vezes, soltamos “fogo pela boca”, veneno, pimenta, coisas ardidas e negativas porque acumulamos tantas coisas erradas, maldosas, maliciosas e perniciosas dentro do nosso coração.

A Palavra de Deus, no dia de hoje, nos é enviada para ser purificação. Primeiro, da nossa alma e, depois, para nos dar prudência naquilo que escutamos e no que falamos. Nós nos revelamos a partir daquilo que sai da nossa boca.

Deus abençoe você!                                                 

Padre Roger Araújo

sábado, 2 de março de 2019

Homilia Diária

02MAR2019

A liturgia deste sábado nos convida a voltarmos para o bom senso, à retidão, ao discernimento e à sabedoria

“Deu aos homens discernimento, língua, olhos, ouvidos, e um coração para pensar; encheu-os de inteligência e de sabedoria. Deu-lhes ainda a ciência do espírito, encheu o seu coração de bom senso e mostrou-lhes o bem e o mal”(Eclesiástico 17, 5-6).

É maravilhosa essa leitura do livro do Eclesiástico. A liturgia deste sábado nos convida a voltarmos para o bom senso, à retidão, ao discernimento e à sabedoria. Esses são elementos que não podem faltar para a vida humana. Muitas vezes, jogamos tudo para cima de Deus: "É Deus quem faz; é Deus quem manda; é Deus quem quer; é vontade de Deus".

A vontade de Deus é que o homem tenha bom senso, tenha discernimento. A vontade de Deus para a nossa vida é que usemos aquilo que Deus nos deu de maneira reta e correta. Não podemos pensar que somos “robôs” no mundo em que estamos, e que Deus está nos controlando. Ele nos deu a liberdade, capacidade de escolha, de construir, de ficar, de escolher o caminho por onde iremos andar. 

As boas escolhas vêm do bom senso e do discernimento 

Se escolho ir por um caminho e caio num buraco, não foi Deus quem me jogou, e sim eu que andei com minhas próprias pernas, e cai naquele buraco. É óbvio que, se uma criança que ainda não tem capacidade de escolha, cai em um buraco, há uma responsabilidade dos pais por ela. Agora, ser adulto é, acima de tudo, ser consciente, ser responsável pelos nossos atos e atitudes.

O que é fazer escolhas certas? São escolhas que vêm do bom senso, do discernimento. E a oração é importante para termos discernimento nas escolhas. Quando fazemos escolhas acertadas, é Deus quem nos abençoa; quem nos dá a Sua graça para nos iluminar. Mas não podemos nos esquecer de que as escolhas são sempre nossa.

Se como uma comida e passo mal com ela, não foi Deus quem fez ela fazer mal para mim, fui eu que livremente decidi comê-la. E isso vale para tantas outras situações da vida. Pois, vivemos em um tempo onde as pessoas não querem assumir responsabilidades pelos seus atos, suas escolhas, suas decisões.

Quando está tudo muito bem: "a criação é do homem". Quando algo dá errado: "Foi Deus que não fez, não ajudou, Ele que permitiu". Então, o homem não é capaz de, por si mesmo, meditar, rever e discernir a forma como está levando e conduzindo a sua vida.  

A Palavra de Deus, com toda a sua sabedoria, nos diz que Deus infundiu o temor d’Ele em nosso coração, o respeito e o amor para com Ele. Se O amamos, O respeitamos e O tememos, teremos bom senso em saber fazer escolhas na vida, com a benção e a proteção de Deus.      

Deus abençoe você!       

                           

 Padre Roger Araújo

sexta-feira, 1 de março de 2019

Homilia Diária

01MAR2019

É impossível o homem casar com uma mulher e viver com ela o resto da vida?

“Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, 01mas uma só carne” (Marcos 10, 7-8).

Quando meditamos o Evangelho de hoje, talvez alguém pense que a temática do Evangelho seja o divórcio, a separação. Mas a temática principal é a união conjugal, o valor que tem a união do homem com a mulher. Nós não iremos avaliar qualquer coisa pelo lado negativo ou por aquilo que não deu certo. Não que não possamos estudar e compreender o porquê de muitos casamentos não darem certos, o porquê do divórcio estar presente na vida de muitos casais, tanto agora como no passado.

Mas, se primeiro não nos debruçamos para compreender o valor sagrado do matrimônio e, acima de tudo, mergulhar naquilo que ele significa, iremos, muitas vezes, fugir do essencial, e não vamos absorver o que o Mestre nos ensina sobre esse valor tão sagrado.  

O matrimônio é a união do homem e da mulher na bênção de Deus. Não é apenas a compreensão de duas pessoas que se juntam para viverem juntos, terem filhos e formarem uma família. Pois, antes de ser família, com filhos constituídos, o casal forma uma união que é um mistério unitivo, e formam uma só carne.

Um casal não pode abrir mão de viver na presença de Deus

Claro que, são duas pessoas diferentes, gêneros diferentes: homem e mulher. Eles têm pensamentos, sentimentos e histórias diferentes. É aí que está o mistério divino. É Deus sendo capaz de fazer com que dois sejam um; é a graça da matemática divina que não cabe, por vezes, dentro da lógica humana.  

O casal não deve ressaltar as diferenças que há neles, e sim respeitá-las. E as diferenças quando são somadas, acolhidas, respeitadas, tornam-se valores fundamentais, essenciais, maravilhosos, então, brotam muitas bênçãos. Quando o casal enfatiza a diferença como algo negativo, de fato, o casamento torna-se insuportável.  

Agora, se soubermos acolher o diferente, trabalhá-lo primeiro dentro de nós, e não querer mudar a outra pessoa primeiro, saberemos crescer e viver na dinâmica do amor. Mas quando o egoísmo, o individualismo entram na vida de um casal, realmente torna-se difícil e quase insuportável viverem juntos.   

Não nos esqueçamos que é uma graça divina. Por isso, um casal não pode abrir mão de viver na presença de Deus em todos os dias da sua união conjugal. Chamo a atenção para um ponto que é fundamental: casal para permanecer na bênção, precisa aprenderem a rezarem juntos, orarem juntos e fazerem da oração uma prática da vida conjugal.

Assim, todas as arestas serão superadas, todas as dificuldades serão melhores compreendidas e assimiladas, e a graça de Deus poderá fazer superar aquilo que, humanamente, parece ser impossível. É impossível o homem casar com uma mulher e viver com ela o resto da vida? Não! Mas é fundamental a graça de Deus, porque ela faz nova todas as coisas.

Deus abençoe você!                    

                   

 

Padre Roger Araújo