Gol

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Homilia Diária

30NOV2018

Hoje, queremos pedir a intercessão do apóstolo Santo André, para que nos dê a firmeza e a direção do seguimento

“Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens. Eles imediatamente deixaram as redes e O seguiram (Mateus 4,19-20).

Hoje, temos a graça de celebrar Santo André, irmão de Simão Pedro, aquele que o levou para conhecer Jesus.

A primeira coisa que celebramos é o chamado. É Jesus quem chama; é Ele quem escolhe e vem ao encontro de cada um dos Seus discípulos e diz: “Vinde após mim. Deixai vossas redes e eu farei de vós pescadores de homens”. É preciso segui-Lo, seguir Seu caminhar e ir em direção dos seus passos.

Um dia, Jesus chamou-me e eu decidi segui-Lo. Sigo Jesus com minhas fraquezas, com minhas fragilidades. Eu não quero, jamais, deixar de segui-Lo, não posso perder a perspectiva do seguimento. Um dia, Jesus, também, te chamou, Ele disse a você: "Siga-Me no que você realiza no seu trabalho”.

Às vezes, somos tentados a nos perder pelo caminho; às vezes nos embaraçamos nas redes do trabalho e nos perdemos na caminhada. Eu só posso dizer: “Jesus, encontra-me quando eu estiver perdido. Jesus, direciona-me quando eu perder a direção da vida; mas não posso deixar de segui-Lo. Quero Te seguir até o fim, quero Te seguir até a morte”.

Siga Jesus com todo o seu coração e com toda a sua vida.

André e o irmão dele, Simão Pedro, deixaram tudo para seguir Jesus, tiveram fraquezas e fragilidades. As de Pedro conhecemos tanto, pois Ele negou Jesus. Mas, tanto André quanto Pedro, seguiram Jesus até a morte deles, derramando o sangue deles por causa de Jesus.

Quem segue Jesus até a morte, segue Jesus até a eternidade e, assim, estar para sempre diante da Sua presença. Hoje, queremos pedir a intercessão do apóstolo Santo André, para que nos dê a firmeza e a direção do seguimento. Podemos cair em tantas confusões ao longo do caminho; ao longo da estrada; e nos desviarmos de Jesus, porque aparecem outros convites, outras tentações e provocações que nos desviam da rota de salvação e do seguimento a Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Que o Senhor nos encaminhe sempre, para sempre seguirmos os Seus passos.

"Senhor, eu quero ser seu discípulo, que eu permaneça sempre no Seu caminho."

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Homilia Diária

29NOV2018

Não podemos perder a expectativa da eternidade, não podemos perder a perspectiva da parusia

Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando essas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (Lucas 21,27-28).

Talvez, você pare nas tragédias, nas coisas negativas, nos medos e pavores que o Evangelho de hoje nos relata. Não pare aí, vá adiante. Porque, quando essas coisas começarem a acontecerem; e essas coisas já acontecem no mundo: pavores, guerras, combates, nações contra nações e, assim por diante, mantenhamos, ainda mais firmes, o nosso olhar em Jesus.

A nossa fé é movida pela esperança, pela certeza de que o Senhor virá. Ele não tardará! Cremos na segunda vinda gloriosa de Jesus. E que Ele venha no Seu tempo, no tempo em que foi designado pelo Pai por toda a eternidade para operar a libertação de toda a humanidade. Por isso, não me apavoro.

Mas algumas pessoas dizem: “O mundo não tem mais jeito. O mundo vai acabar”. Se o mundo não tem mais jeito, se vai se acabar, que encontre o seu jeito, o seu tempo. Eu vivo na esperança, na certeza de que tem um Deus que cuida dos Seus e eu mantenho n’Ele o meu olhar. Mantenho firme a minha esperança, a minha fé; e creio que o Senhor virá para julgar os vivos e os mortos. Eu vivo dessa fé que o Senhor virá para instaurar para sempre o Seu Reino glorioso.

Não podemos perder a expectativa da eternidade, não podemos perder a perspectiva da parusia, que é a segunda vinda gloriosa de Jesus. Mas, não podemos cair nas fantasias que muitos querem lançar no meio de nós, que o Senhor já está vindo.

Ele está vindo, São Paulo já proclamou isso há vinte séculos. Ele está vindo esse ano, pode ser no próximo ano e pode ser daqui a 100 anos. Quem somos nós para determinar quando o Senhor virá. Temos de viver a espiritualidade da vigilância. Pois, o Senhor, vindo hoje ou daqui a cem anos, temos de estar prontos para aguardá-Lo.

Vem, Senhor Jesus, eu Te aguardo e Te espero. É isso que eu preciso viver a cada dia; e não ficar entrando nas pesquisas, juntando os fatos daqui e acolá; e, assim, determinando que o Senhor está vindo, apressando a todos. Lançamos medo em outros, não vivemos a conversão verdadeira e nem semeamos a conversão de coração autêntica.

Muitos esperavam o Senhor no passado e Ele não veio, então, caíram na decepção e no desânimo. O Senhor virá e o dia em que Ele vier, que o nosso coração esteja firme, aguardando a sua chegada. Quando as tais coisas (citadas no Evangelho) começarem a acontecerem, a esperança e a expectativa da vinda do Senhor nunca poderão nos jogar no desânimo e na descrença.

Temos de esperar o Senhor de cabeça erguida, firmes na fé, sem desanimar. Porque a presença do Senhor, a proximidade do Senhor não é pavor, é libertação.

Quanto mais próximos estamos do Senhor e, Ele, mais próximo de vir a nós, maior é a graça da libertação na vida de cada um de nós. Maranathá, vem Senhor Jesus.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Homilia Diária

28NOV2018

É permanecendo firmes e perseverantes, permanecendo no caminho e sem dele nos desviarmos, que ganharemos a vida

Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lucas 21,17).

O Evangelho de hoje apresenta tantas realidades de perseguições; de divisão em casas, em famílias, mas sobretudo, a realidade da não aceitação de Jesus, do Evangelho e dos seguidores d’Ele.

Ainda que a expressão evangélica seja ódio, o melhor entendimento para ela é a rejeição. Eu rejeito aquilo que não gosto, que não amo, que não acolho e nem aceito. Podemos odiar, sermos indiferentes, mas não aceitarmos.

No mundo de hoje, o modo de odiar é não aceitar o Evangelho. É não aceitar, muitas vezes, a vida de quem se converte, de quem serve a Deus de forma autêntica e verdadeira. Quem está no mundo prefere o que é do mundo, e o mundo odeia aquilo que é de Deus.

Não tenhamos receio, de forma nenhuma, quando não formos aceitos, acolhidos, louvados e engrandecidos por causa do Evangelho que seguimos... Estamos no caminho. Mas, fiquemos tranquilos pois nenhum fio do nosso cabelo cai sem que Deus saiba e sem que Ele cuide de nós. É permanecendo firmes e perseverantes, permanecendo no caminho e sem dele nos desviarmos por causa das tribulações, dificuldades e rejeições das pessoas, que ganharemos a vida.

A vida é para quem persevera na graça, é para quem não desanima diante das dificuldades, tribulações, perseguições e contradições que enfrentamos ao longo dessa vida.

Não é fácil servir a Deus, aliás, não é fácil viver, não é fácil estar nesta vida. Ela é bela e como eu amo viver, existir e ser um homem de Deus. Mas, sabemos de tudo que são as contradições dentro de nós, ao nosso lado. E, quantas vezes sentimos a grande tentação do desânimo? Queremos tudo abandonar e perdermos a perspectiva da vida. Muitas vezes, nos enganamos, nos iludimos, achamos que o mundo por fora é melhor, é mais prazeroso. Outras vezes, é porque vivemos uma religião desencarnada, longe da realidade, vivemos mais pelas alturas, para os anjos do que para a vida real e concreta.

E, quando caímos em si, percebemos que somos pessoas humanas, limitadas; temos fragilidades, temos situações a serem enfrentadas, então, bate aquele desânimo total.

É preciso se manter firme, é preciso se manter na perseverança, porque é só permanecendo com os olhos fixos em Jesus e sem d’Ele desviar o nosso coração, que ganharemos a vida.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Homilia Diária

27NOV2018

No coração, semeemos a certeza e a confiança de que temos um Deus que cuida de nós, mesmo diante de um mundo cercado de pavores e temeridades

Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim” (Lucas 21,9).

Desde que somos pessoas humanas e fazemos uso da razão, vemos rumores de guerras no passado e no presente. E, já têm guerras até para o futuro. Desde que sou pessoa humana, vejo destruição em toda a face da Terra. E, há aqueles que aproveitam dessas situações e criam a religião do pavor, do desespero, semeiam no coração das pessoas o medo. É a religião que quer converter as pessoas com medo.

Se eu anunciar que Jesus está voltando daqui a cinco dias ou daqui a algum tempo e quem não se converter se perderá, a sua conversão não será verdadeira, porque será a conversão da pressa e do medo.

A conversão autentica é aquela que se converte por amor e não por medo e nem por receio; e não para ser aquilo que vai fugir dessa ou daquela calamidade, pelo contrário, quando esse rumor de coisas negativas acontecerem, não iremos nos apavorar, porque o servo do Senhor não se apavora diante das tribulações, ele sabe a quem está servindo.

Se está tudo em paz, o coração procura viver em paz, mesmo com tantas inquietudes. Se são tempos difíceis e complicados, se estamos vivendo tempos dessas ou daquelas situações, o coração não se apavora. Porque sabe que o Senhor cuida dele e não o deixa desanimar e nem se desesperar diante de qualquer situação.

Não pregamos a religião do pânico, do pavor, do medo e dos escândalos, a religião onde do "quanto pior melhor", para que as pessoas fiquem atemorizadas, com medo e receosas.

Semeamos a esperança, tendo os pés no chão. Sabemos dos conflitos, dos abalos sísmicos, das dificuldades, das guerras entre as nações, não ignoramos esses fatos, mas, também, sabemos do Senhor a quem servimos. Ele é o Rei e Senhor deste mundo e daqueles que se submetem e servem a Ele. O Senhor cuida deles diante de qualquer tribulação.

Ainda que um pavor humano, uma morte humana possa atingir um servo do Senhor, eles atingem a primeira morte ou a primeira prova, mas, jamais a morte eterna, porque Deus cuida daqueles que são seus.

Semeemos esperança, semeemos, no coração humano, a certeza e a confiança de que temos um Deus que cuida de nós, mesmo diante de um mundo cercado de pavores e temeridades. O nosso Deus cuida de nós.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Homilia Diária

26NOV2018

A generosidade evangélica é aquele que dá com o coração e não espera nada em troca

Em verdade vos digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos. Pois todos eles depositaram, como oferta feita a Deus, aquilo que lhes sobrava. Mas a viúva, na sua pobreza, ofertou tudo quanto tinha para viver” (Lucas 21,4).

Essa pobre viúva tornou-se o ser humano mais rico que podemos imaginar e contemplar. Ela se ofereceu inteira para Deus, ela ofereceu tudo o que tinha e era o muito que ela tinha. É pouco para nós, é pouco para quem tem um pouco mais, mas para quem tem pouco, é muito. Ela teve receio do que comeria, viveria, porque ela quis se ofertar para Deus.

Talvez, alguns confundam isso com certos exageros ou práticas imprudentes. “Eu abro mão de tudo o que tenho. Dou tudo para Deus”. Dar tudo para Deus é, em primeiro lugar, dar a vida, o coração, mas dar com generosidade. Não é aquela via onde damos porque esperamos receber. Damos com gratuidade do coração.

“Vou dar isso para Deus porque Ele vai me dar aquilo. Eu vou ser abençoado porque ofertei mais”. Essa não é a generosidade evangélica. A generosidade evangélica é aquele que dá com o coração e não espera nada em troca, materialmente falando, dá porque é amado, porque quer se doar para Deus. Dá como amor a Deus na sua vida.

Eu não posso prometer e nem cair no devaneio de dizer que se você fizer isso para Deus, Ele te dará aquilo, porque Deus não é comerciante e nem negociante, Ele não é matemático. “Porque essa deu tanto, vai receber tanto”.

Quem dá é o coração, quem recebe é o coração. Um coração generoso se torna agraciado pela generosidade, é um coração que se torna cheio do amor, mas vivemos numa sociedade mercantilista, capitalista, onde tudo tem que ter retorno, inclusive, aquilo que oferecemos na Igreja, aquilo que damos de dízimo, de ofertório.

Damos porque amamos, se não for por amor não vale a pena doar, fazer ofertas, contribuir com campanhas. Alguns pensam: “Eu vou fazer tal campanha porque depois vou receber isso”.

Eu não conheço esse Deus negociante, eu não conheço esse Deus que faz negociatas. O Deus que conheço é generoso e amoroso. Ele dá sol para todos, para quem O ama e para quem não O ama. Ele derrama a sua bênção sobre todos. É claro que, quem busca mais, cresce na relação e na intimidade com Deus. Mas, jamais Ele vai um lugar especial no Céu porque aqui na Terra você dava todo o seu dinheiro para Ele.

Deus não se compra e nem se vende, mas Ele conhece a generosidade, a bondade e a liberdade do nosso coração, por isso, damos com o nosso coração e ninguém precisa saber. Damos por amor, porque amamos, nos ofertamos a Deus, e nos entregamos a Ele. Então, a nossa oferta se torna como a dessa viúva, a mais generosa e oblativa possível.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

domingo, 25 de novembro de 2018

Homilia Diária

25NOV2018

Renunciemos ao reinado do maligno para nos submetermos ao reinado de Cristo

Jesus respondeu: ‘Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz’” (João 18,37).

Encerrando o Ano Litúrgico, celebramos a Solenidade de Cristo, Rei do Universo. Quando nos referimos ao reinado de Cristo, precisamos tirar da cabeça aquilo que compreendemos como os reinos desse mundo, até porque, os reinos desse mundo são temporais, materiais, políticos, ideológicos, são reinos que correspondem à humanidade passível, que logo passa.

Estamos nos referindo ao Reino eterno de Cristo, ao Reino que o Pai concedeu a Ele sobre todo o Universo. Onde Cristo Reina? Onde está o Reino de Cristo? Onde acontece o reinado de Jesus no meio de nós?

O reinado de Jesus acontece naquilo que Ele mesmo está dizendo, Ele não nega, Ele está pregado na Cruz e estão acusando Ele, estão fazendo sarcasmo dizendo: “Tu és Rei”. Ele não nega: “Eu Sou Rei, mas o Meu Reino não é deste mundo”. Quando Ele diz que o seu Reino não é deste mundo, Ele está se referindo ao mundão que não se rendeu a Deus, ao mundo que não O aceitou como Rei e Senhor. O Reino de Jesus é de todos aqueles que ouvem a sua voz, de todos aqueles que amam a verdade divina, a verdade de Deus e se rendem a essa verdade.

O Reino de Cristo não é um reino de mentiras, de fantasias e nem de hipocrisias. O Reino de Cristo é o reino da verdade, daqueles que se submetem à verdade de Deus, à verdade que nos liberta do pecado, do erro, da mentira, da maldade; aquela verdade que nos liberta das trevas e do príncipe deste mundo que é o maligno que, com suas seduções, maldades e enganos, seduz a tantos. Renunciemos ao reinado dele para nos submetermos ao reinado de Cristo.

A primeira coisa para pertencermos ao Reino de Deus é aceitar a verdade, isto é, largar a mentira, assumir Jesus como o nosso único Senhor e Salvador, permitir que Ele reine nos nossos corações, na mente, na vontade de cada um de nós, permitir que Ele governe nossos pensamentos, nossos sentimentos e nossas intenções.

"Senhor, somente a Ti quero render o meu coração, a minha alma e tudo aquilo que sou. Ao Teu reinado quero submeter a minha vida. Reina no meio de nós, reina em nossas casas, em nossas famílias, na sociedade em que estamos."

Não quero ser utópico, preciso ser real. O Reino de Cristo acontece no meio de nós, somente nos corações que se rendem a Ele, somente nas mentes que se rendem a Ele. Até nós que, muitas vezes, estamos na Igreja, não permitimos que Cristo reine entre nós. Ele é Rei e Senhor daqueles que proclamam o Seu Senhorio e rendem a sua vida aos cuidados de Jesus.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

sábado, 24 de novembro de 2018

Homilia Diária

24NOV2018

Vivamos a nossa vida aqui na Terra em função da eternidade

“Mas os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, nem eles se casam nem elas se dão em casamento. E já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram” (Lucas 20,35-36).

O Evangelho nos aponta a graça da vida eterna, da bem-aventurança eterna, de estarmos para sempre na presença de Deus. Esta é a primeira perspectiva: não podemos perder a expectativa da vida futura. Precisamos viver a vida presente aqui na Terra, trabalharmos e construirmos a vida, porque é ela que constrói a nossa eternidade junto de Deus.

A primeira coisa: viva o tempo presente com toda a intensidade do seu coração, mas não se apegue ao tempo presente como se ele fosse eterno. Porque quando muitas pessoas se deparam com a realidade da morte, da vida pós-morte, eles têm até dúvidas, não sabem o que será.

Se a vida, aqui na Terra, com Deus é uma bênção, a eternidade para sempre é uma bênção sem fim! É essa bênção que nós esperamos e aspiramos para todos nós. Por isso, vivamos a nossa vida aqui na Terra em função da eternidade.

Não podemos nos apegar a nada, temos de amar. O marido e a mulher precisam se amar, mas não podem se apegar um ao outro como se fossem viver eternamente e, é isso que o Evangelho está nos apontando, uma vez que, como prometeu no casamento: “Até que a morte o separe”. O nosso casamento eterno é somente com Deus, a nossa satisfação plena, enquanto pessoa humana, se dá somente com a presença de Deus.

Deus nos satisfaz nesta e nos alimenta nesta vida presente. E precisamos nos alimentar de Deus, precisamos nos alimentar do sagrado, precisamos alimentar nossa vida mística e espiritual, a nossa relação com Deus.

Muitas pessoas não sabem o que é a eternidade, porque, no tempo presente, não se alimentam do alimento espiritual, não alimentam a sua espiritualidade e, por isso, não têm o sabor do Céu e a presença celeste na sua própria vida.

São Paulo exclamava: “Para mim viver é Cristo, e morrer é lucro”. É claro que, vamos viver a nossa vida presente aqui na Terra da forma mais intensa, mas sem jamais perder a perspectiva da eternidade, da vida futura, bem-aventurada na presença eterna de Deus.

Não deixe o materialismo tomar conta da sua cabeça, da sua mente e do seu coração, querendo dar explicações materiais ou sentimentos materiais para a vida que nos espera.

Alguns perguntam: “Padre, como vai ser na eternidade?”. Se eu pudesse explicar já não seria mais eternidade, porque a eternidade foge ao alcance da nossa materialidade. Pois, o que nos espera, a matéria não pode absorver; mas a matéria será absorvida pela presença eterna de Deus no meio de nós.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Homilia Diária

23NOV2018

A Igreja é o lugar do nosso encontro com Deus, é o lugar de Jesus nos ensinar a viver

“Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os vendedores. E disse: Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’. No entanto, vós fizestes dela um antro de ladrões. Jesus ensinava todos os dias no Templo” (Lucas 19,45-47).

O Templo, a Igreja, a Capela, o Santuário é lugar de oração; é o lugar da presença de Deus. É o lugar do nosso encontro com Deus; é o lugar de Jesus nos ensinar a viver.

Eu vou para o Templo para viver duas realidades. A primeira é para falar com Deus e para escutá-Lo; é para que possamos orar e viver a nossa comunhão com o Senhor.

Sabe, meus irmãos, muitas vezes, não fazemos isso porque a dispersão toma conta de nós. Pois, mesmo se a Igreja que vamos não tenha virado uma bagunça, como esse templo citado no Evangelho: cheio de vendedores, cambistas e muito mais; os vendedores e os cambistas do mundo estão dentro da nossa cabeça e do nosso coração. Chegamos à Igreja agitados demais, tensos e ansiosos em demasia, a cabeça fica fervilhando e não nos centramos, não entramos na comunhão com Deus.

Quando vamos à casa do Senhor, precisamos nos esvaziar, precisamos tirar de nós tensões, preocupações e ocupações que não sejam outra coisa a não ser ocupar-nos do Senhor.

Na Igreja nos ocupamos de Deus e Ele ocupa todos os espaços que há dentro de nós. Ele ocupa nossos pensamentos, sentimentos, o nosso coração, tudo aquilo que somos, que estamos vivendo, sentindo e passando. Deixamo-nos ser tomados pela presença de Deus.

É muito importante que, em nossa Igreja, haja uma atmosfera espiritual. Preciso dizer que muitas pessoas tiram esse ambiente espiritual. Quem vai para a Igreja e precisa organizar a música não pode achar que a sua bateria, que o seu instrumento musical é mais importante do que a atmosfera espiritual. A pessoa vai lá e faz aquela agitação, fica meia hora passando o som do microfone.

A Igreja precisa ter ambientes para as pessoas rezarem, mas muitas chegam atrasadas ou em cima da hora e querem cumprimentar todo mundo. A Igreja é o lugar do encontro, mas primeiro do encontro com Deus. Segundo, é o lugar do ensino, é onde Jesus quer nos ensinar. Precisamos ir lá e cada vez que vamos, precisamos deixar que Ele nos ensine a viver, porque caso contrário, vamos para o templo e lá é apenas o lugar de tantas coisas, mas não do essencial. Vamos lá para nos tornar templo e para que o Templo de Deus esteja em nós.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Homilia Diária

22NOV2018

Acolhamos a presença de Deus na nossa vida como nunca acolhemos a ninguém nesta Terra

Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar” (Lucas 19,41).

Jesus chora pela sua cidade e pelo seu povo. Jesus chora por aquela cidade que Davi construiu como a cidade do grande Rei. O grande Rei era Ele, que não foi acolhido, amado e nem aceito pelos Seus.

Depois, Jesus chora por tudo que há de acontecer em Jerusalém, cidade que vai ser sitiada, tomada e destruída, mas sobretudo, a cidade que não amou e nem acolheu o tempo da visita de Deus.

Deus está nos visitando, Ele está no meio de nós. O fato de estarmos ouvindo o que estamos ouvindo ou lendo o que estamos lendo é para nos dar a certeza de que Deus está nos visitando. Ele está entre nós, nos formando na sua Palavra, no seu amor, mas não deixemos que a agonia da vida, a ansiedade e as ocupações nos levem a desprezarmos ou sermos indiferentes com a graça.

Quando alguém nos visita, podemos o acolher ou não; podemos dar atenção do melhor jeito ou podemos dar atenção e dizer: “Não vejo a hora desta visita ir embora”.

A visita de Deus é para ser acolhida com todo amor do nosso coração, porque Ele veio para cuidar de nós, para nos formar, nos educar, nos salvar e nos libertar. Ele chorou por Jerusalém, assim como chora por nossas casas, por nossas famílias, pelos nossos filhos e, muitas vezes, por nós quando não damos a atenção à Sua presença no meio de nós.

Acolhamos a presença de Deus em nossa vida como nunca acolhemos a ninguém nesta Terra.

Veja a alegria de uma mãe grávida, a expectativa que ela tem com o filho que nascerá: o abraço, a acolhida, o choro e a emoção por aquela vida que chega. É assim mesmo que tem de ser o coração de uma mãe; é assim que tem de ser o coração de um discípulo, de um servo, de um homem e de uma mulher que acolhem Deus em sua vida.

A presença de Deus deve entrar, ser acolhida em nossas entranhas, de modo que essa acolhida dada a Ele, transforme a nossa vida. Não sejamos a Jerusalém de ontem que não O acolheu, que desprezou e matou o Senhor da vida.

Se Deus chora por nós e por nossas casas, é porque não O acolhemos e nem O amamos como precisávamos.

Que, hoje, Ele nos dê a graça de amá-Lo de todo o nosso coração.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Homilia Diária

21NOV2018

Aprendamos com Maria a nos consagrarmos e a entregarmos a nossa vida para Deus

Jesus disse: ‘Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe’” (Mateus 12,49).

A Igreja nos dá a graça de celebrarmos a apresentação de Nossa Senhora no Templo. Aquela menina, praticamente recém-nascida, foi levada pelos seus pais, Ana e Joaquim, para ser apresentada ao Senhor.

Os pais sabiam que aquela menina nasceu para ser toda de Deus, porque eles eram inteiros de Deus. Tanto Ana como Joaquim eram tementes ao Senhor. Era um casal que temia e obedecia ao Senhor Deus e, por isso, geraram esse fruto bendito que é a Virgem Maria, Aquela que seria a Mãe do Salvador.

Maria não empresta apenas o seu ventre para que Jesus entre nele, é mais do que isso, porque o templo em que Ela é apresentada, hoje, é o templo em que Ela tornou-se.

O templo é o lugar do encontro com Deus. Quando entramos no templo, a graça de Deus entra em nós entramos nela também. Quando Maria foi apresentada ao templo, Ela tornou-se um templo, um lugar onde Deus habitava. E, assim, essa menina foi criada, essa jovem cresceu e tornou-se Mulher e Mãe de Jesus. Mas, Ela já era (desde o ventre de sua Mãe) serva do Senhor e, por isso, foi apresentada ainda menina para ser templo e lugar da morada de Deus.

O que Maria foi e, ainda é por toda a eternidade, é o que Deus quer que sejamos. Eu acolho, com muito amor em cada celebração, quando os pais levam a criança recém-nascida para ser apresentada na Igreja. Eu fico feliz de ver que essa prática cresce cada vez mais em todos os lugares. 

E que não seja apenas um ritual: “Eu vou levar na Igreja para não ficar doente, para não acontecer nenhum mal”. Levemos à Igreja para prepará-la para o Batismo, para que logo seja batizada e, mais do que isso, para que a criança cresça consagrada a Deus, aos cuidados d’Ele, mas vamos educá-los para que cresçam no amor a Deus.

Em uma casa que tem o temor de Deus, os filhos são, também, criados neste mesmo temor e crescem no amor a Deus sobre todas as coisas. Por isso, somos chamados de irmãos de Jesus, porque o pai, a mãe e o irmão de Jesus, são aqueles que fazem a vontade de Deus na sua vida.

Maria não fez a vontade de Deus somente porque gerou Jesus, Ela fez a vontade de Deus porque, desde menina, foi toda de Deus. Aprendamos com Ela a nos consagrarmos e a entregarmos a nossa vida para Deus.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo