(site do PSB )
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos
Deputados criará uma subcomissão para acompanhar o sistema prisional
brasileiro. O objetivo é dar andamento às proposições já feitas pela
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Carcerário, de 2010.
Este é um dos encaminhamentos da audiência pública realizada pela CDHM
nesta quarta-feira (9) por requerimento da deputada Janete Capiberibe
(PSB-AP).
Os parlamentares também sugeriram que a Câmara crie um mecanismo para
acompanhar a execução das indicações propostas pela Casa, além de
encaminhar aos ministérios e ao governo do Maranhão o conteúdo da
audiência. A Secretaria de Políticas para Mulheres e o governo
maranhense não mandaram representantes à audiência para debater a
situação no Presídio de Pedrinhas, em São Luiz. Os convidados também
afirmaram que a população carcerária é resultante das desigualdades
sociais e da falta de assistência jurídica aos apenados.
Denúncias - A deputada Janete Capiberibe requereu a audiência após
receber denúncias de que mulheres parentes de presos estariam sendo
violentadas sexualmente para garantir que os familiares detidos no
Presídio de Pedrinhas com menor influência nas facções criminosas não
fossem mortos ou quitassem dívidas. As ameaças de morte também fazem com
que não existam denúncias formais.
A falta de denúncias foi o argumento utilizado pelos representantes do
governo do Maranhão para não comparecerem à audiência. Para a deputada
Luiza Erundina (PSB-SP), a ausência dos secretários de Segurança Pública
e de Administração Penitenciária do Maranhão demonstra o pouco
interesse do governo daquele Estado em relação à falta de segurança no
presídio, que foi construído para ser de segurança máxima. "Eles não têm
o que dizer numa audiência dessas porque os secretários já foram
arguidos, já foram provocados tantas vezes, inclusive por esta Casa, por
esta Comissão de Direitos Humanos, e fica por isso mesmo", criticou a
deputada.
Outra dificuldade no combate a esse tipo de violência é que o sistema
de proteção à testemunha, o Pró-Vida, não pode ser usado para apenados, o
que inviabiliza qualquer tipo de denúncia por parte dos presos.
Estupros – O juiz do Conselho Nacional de Justiça Douglas de Melo
Martins afirmou que casos de estupro acontecem no presídio de Pedrinhas
porque lá as visitas íntimas são feitas de forma coletiva. Cerca de 200
presos receberiam, num mesmo salão, número idêntico de mulheres dentro
dos pavilhões onde ficam encarcerados. Na avaliação do juiz, uma forma
de garantir a segurança das mulheres que visitam os presídios é cumprir o
que diz a legislação em relação à visita íntima, que deve ser feita de
forma privada.
"Qualquer espaço em que você coloque dezenas ou até centenas de
mulheres em meio a outras dezenas ou centenas de homens, e deixe a
responsabilidade para que as facções do crime organizado organizem como
vão ocorrer as relações sexuais, naturalmente o risco de que ocorra a
violência é muito grande”, afirmou o juiz durante audiência da Comissão
de Direitos Humanos e Minorias. “Então nós precisamos é impedir que esse
procedimento continue ocorrendo."
Novas fugas – A autora do requerimento para a realização da audiência,
deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), lamentou a ausência dos
representantes do governo e destacou que somente na semana passada 10
presos fugiram de Pedrinhas. Ela disse ainda que "a violência sexual
contra mulheres, mães e filhas de presos se tornou um meio de acerto de
contas entre facções rivais e ocorre dentro e fora dos presídios". A
socialista lamentou que o presídio seja um retrato da realidade dura do
povo do Maranhão, carente dos serviços públicos essenciais.
A audiência discutiu também a situação das cerca de 36 mil mulheres
presas em todo o País. Entre 2001 e 2003, esta população triplicou nos
presídios brasileiros, segundo a pesquisadora da PUC-RS, Maria Palma
Wolff. A coordenadora para a Questão da Mulher Presa da Pastoral
Carcerária Nacional, Heide Cerneka, afirmou que não se trata de proibir a
visita íntima e sim de "garantir a segurança dos presos e de suas
famílias." Ela elencou carências básicas na realidade enfrentada pelas
detentas, como a falta de absorventes.
Já a representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da
República, Deise Benedito, informou que existe um Plano Nacional para
Políticas para Mulheres em Situação de Prisão que inclui "as mulheres
que trabalham nas penitenciárias, muitas vezes sem condições mínimas de
exercer suas funções”. Ela reconhece que a maioria das prisioneiras é
negra e que elas são semianalfabetas e muito vulneráveis à violência
institucional.
Existem atualmente 600 mil presos no Brasil, a terceira maior população
carcerária do mundo. Destes, 42% são presos provisórios. Nesse total,
não estão incluídos os presos no regime semiaberto ou domiciliar.
Segundo Maria Palma, a população carcerária cresceu 290% entre 1994 e
2009, enquanto a população brasileira cresceu 21%.
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