Levantamento mostra número de parlamentares com parentesco com outros políticos no AM
A manutenção de famílias no poder pode ser um dos fatores que contribuem para a crise de popularidade que afeta o Legislativo brasileiro. É o que deduz levantamento da Transparência Brasil
Levantamento
da ONG Transparência Brasil mostra que 44% dos deputados federais e 64%
dos senadores têm parentesco com outros políticos ou foram por eles
alavancados. Entre os congressistas do Amazonas, o percentual é de 63%
(5 de 8 deputados federais) e 33% (1 de três senadores).
O
texto do levantamento, assinado pela pesquisadora da Transparência
Brasil, Lauren Schoenster, conclui que esse quadro impede mudanças
significativas na forma de fazer política, além de perpetuar no poder
gerações de políticos “fichas-sujas” e desprestigiados junto à opinião
pública.
“A
transferência de poder de uma geração para a outra da mesma família
provoca tanto a formação de uma base parlamentar avessa a mudanças
significativas como a perpetuação no poder de políticos tradicionais
desgastados ou até impedidos de concorrer em eleições”.
Entre
os deputados federais da bancada amazonense, o levantamento inclui na
lista de congressistas pertencentes a clãs políticos Átila Lins (PSD),
Carlos Souza (PSD), Rebecca Garcia (PP), Sabino Castelo Branco (PTB) e
Silas Câmara (PSD).
Átila
Lins é irmão do deputado estadual Belarmino Lins (PMDB). Carlos Souza é
irmão do deputado estadual Fausto Souza (PSD), e de Wallace Souza,
ex-deputado estadual (morto em 2010). Rebecca Garcia é filha de
Francisco Garcia (PP), ex-deputado federal. Sabino Castelo Branco foi
casado com a deputada estadual Vera Lúcia Castelo Branco (PTB) e pai do
vereador de Manaus Reizo Castelo Branco (PTB).
Entre
os senadores pelo amazonas, o caso de persistência de clãs regionais em
se manter no poder fica a cargo da senadora Vanessa Grazziotin, do
PCdoB. A comunista é casada com o ex-deputado estadual e ex-secretário
estadual de Produção Rural, Eron Bezerra, também do PCdoB. Atualmente, o
esposo da senadora é suplente de deputado federal, e já anunciou que
vai tentar novamente uma vaga na Câmara dos Deputados este ano.
“A
crise de popularidade que afeta as instituições políticas brasileiras,
em particular o Legislativo, é fruto de um complexo de fatores, entre os
quais deve contar a persistência de clãs regionais; entra e sai
governo, os oligarcas e seus filhos, netos, cônjuges, irmãos e sobrinhos
seguem dando as cartas”, deduz Schoenster, em trecho do texto do
levantamento da Transparência Brasil.
Relação é capital político
O
levantamento da Transparência Brasil sobre o parentesco dos
congressistas foi feito tomando por base os políticos eleitos para a
Câmara Federal em 2010 e para o Senado em 2006.
O
estudo analisou a distribuição desse tipo de político por partidos,
estados, regiões, idade e gênero. Além de cruzar a lista de
parlamentares com o rol de detentores de concessões de rádio e TV.
Segundo
a Transparência Brasil, o resultado mostra que as relações de sangue
podem ser importante capital político. Quase a metade dos congressistas
alavancaram parentes ou foram por eles promovidos na Câmara e no Senado.
Nordeste representado por clãs
Os
estados da região Nordeste são os que apresentam os percentuais mais
elevados de parlamentares com parentesco político na Câmara dos
Deputados.
As cinco Unidades da
Federação onde essa realidade é mais forte são Paraíba (92%), Rio Grande
do Norte (88%), Alagoas (78%), Piauí (70%) e Pernambuco (64%).
No
Senado, em estados como Acre, Alagoas, Paraíba, Paraná, Rio Grande do
Norte e São Paulo, todos os seus representantes têm ou já tiveram algum
parente eleito.
A íntegra do
levantamento “Clãs políticos no Congresso Nacional” pode ser acessada no
site da Transparência Brasil no endereço www.transparencia.org.br.
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