(portal Acrítica)
Prefeito de Manaus sustenta que não há solução para o transporte público sem financiamento do governo federal
O
prefeito Artur Neto (PSDB) vai reunir com o governador José Melo (Pros)
essa semana para discutir a implantação de um novo sistema de
transporte coletivo na capital. Artur, que no fim deste mês encerra a
primeira metade do seu mandato de quatro anos, afirmou para A CRÍTICA
que não dá mais para adiar a discussão e que vai lutar por financiamento
do Governo Federal para o novo modal.
Já
o financiamento para a construção de cinco novos terminais de
integração para o sistema de ônibus convencionais está sendo discutido
desde ontem pelos dois gestores com técnicos das administrações e
representantes da Corporação Andina de Fomento (CAF).
A
discussão de um novo modelo de transporte público, um verdadeiro plano
C, reaparece quase cinco meses após a realização da Copa do Mundo em
Manaus, que foi a esperança de melhorias efetivas no setor. No entanto, o
evento não deixou esse legado. O monotrilho não saiu do papel, por
conta decisão da Justiça Federal. O Bus Rapid Transit (BRT), sistema de
pista exclusiva para ônibus articulados também não saiu do discurso e
deu lugar ao Bus Rapid Sistem (BRS), que utiliza pista exclusiva para
tráfego e as plataformas do falido sistema Expresso, dividindo espaços
com outros veículos e com os ônibus dos sistemas convencionais.
Artur
afirmou que a escolha pelo novo sistema será feita de acordo com os
dados técnicos que a prefeitura possui. “Agora, a gente tem que fazer. O
que não pode é não fazer”, disse. “A gente tem que olhar todas as
possibilidades. Escolher uma. E brigar pelo financiamento”, completou.
Para
o prefeito, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), apesar de ser mais caro
que o BRT, é uma das opções. “Eu, particularmente, gosto muito do VLT. É
uma tecnologia francesa. É mais caro, mas exige um espaço menor das
vias públicas e transporta muitas pessoas e com qualidade”, afirmou
Artur Neto.
“Agora,
não tem solução, com uma tecnologia boa, se não houver financiamento
federal. A prefeitura sozinha, mesmo com a ajuda do Governo do Estado,
não dá conta”, defendeu o prefeito, que disse ser “um compromisso e uma
obrigação do Planalto” a questão da mobilidade urbana. Ele defendeu
descentralização de recursos do Governo Federal para dar condições de
reorganização e revitalização dos sistemas das cidades.
Do Expresso ao smart card
Todos
os que passaram pela cadeira de chefe do Executivo municipal de Manaus
nos últimos anos reconhecem que a cidade necessita de um modelo
complementar, e eficaz, ao sistema de ônibus convencional – que padece
de superlotação, demora e greves. O ex-prefeito, hoje senador, Alfredo
Nascimento (PR), em 2001 implantou o sistema Expresso. Os sucessores de
Alfredo não deram continuidade ao Expresso, mas herdaram a dívida. Na
campanha que lhe rendeu o primeiro mandato, em 1996, Alfredo Nascimento
prometeu construir um metrô de superfície para interligar as zonas Leste
e Norte. O metrô nunca foi construído.
Serafim
Corrêa (PSB), que esteve à frente da prefeitura entre 2005 e 2008, foi o
responsável pela implantação do smart card, que oferece integração
temporal via cartão magnético. Assim como o sucessor Amazonino Mendes
(PDT), Serafim fez licitação para novos ônibus convencionais. O
socialista também implantou os sistemas executivo e alternativo.
Apenas soluções paliativas
Em
maio de 2011, após uma reunião com a presidente Dilma Rousseff,
Amazonino Mendes e Omar Aziz (PSD), respectivamente, prefeito de Manaus e
governador do Estado à época, anunciaram em Brasília que Manaus não
teria o monotrilho nem o sistema Bus Transit Rapid (BRT) construídos
para a Copa do Mundo. Até então, o BRT seria um sistema complementar ao
monotrilho.
Artur
Neto, em fevereiro, recebeu a promessa da presidente Dilma Rousseff
(PT) em Manaus do repasse de R$ 125 milhões do Governo Federal para
obras de mobilidade na capital. Artur não recebeu o dinheiro a tempo da
Copa do Mundo e o BRT não foi implantado. Como alternativa, o prefeito
reformou as plataformas do antigo Expresso e rebatizou o sistema de BRS.
A prefeitura ainda não recebeu o recurso, o que é motivo de muitas
reclamações do tucano. Em meio a muitas discussões, ele regulamentou os
sistemas alternativo e executivo. Além de ter regularizado o transporte
feito pelos mototaxistas.
Medidas pró-mobilidade
O
prefeito disse que a União pode descentralizar alguns recursos, como a
Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), e dividir
entre as prefeituras das grandes cidades para investimentos em
mobilidade. “Esse recurso seria mais útil nas mãos dos prefeitos em um
rateio proporcional para se aplicar no subsídio de tarifas”, disse. “A
presidente Dilma pode também desonerar a cadeia produtiva dos ônibus.
Aí, vamos poder ter uma nova frota com custo mais baixo. Isso vai ter
influência positiva no preço da tarifa”, acrescentou Artur.
Personagem, vereador pelo PSB, Elias Emanuel
“O BRT é o sistema mais viável”
Para
o vereador Elias Emanuel (PSB), que foi o relator do atual Plano
Diretor da capital na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o sistema BRT é o
mais viável para a cidade. “Esse sitema é o mais barato. É verdade que a
gama de desapropriação é grande, mas ainda assim eu creio que essa seja
a alternativa mais viável”, disse.
“A
cidade precisa ter um anel que faça a interligação do Norte para o Sul
ligando também a Zona Leste. Esse anel existe nos dois projetos. Tanto
no monotrilho quanto no BRT. Eu não vejo no monotrilho uma saída
razoável para a cidade de Manaus porque ela é cara. Ele não saiu do
papel porque não havia a conexão do monotrilho com o com o BRT, a
integração entre os modais, porque os sistemas seriam complementares”,
afirma o parlamentar.
Replay: as promessas de sistemas de transporte público
Expresso
Implantado
em 2001 pelo então prefeito Alfredo Nascimento, o sistema Expresso foi
uma promesssa de solução para o transporte público. Os prefeitos
seguintes não deram continuidade ao projeto. Agora, Artur reformou as
plataformas.
Metrô de superfície
É
de Alfredo Nascimento também outra promessa de sistema de transporte
coletivo para Manaus: o metrô de superfície que transportaria
diariamente 300 mil pessoas entre as zonas Norte e Leste. Esse projeto
nunca saiu do papel.
Monotrilho
De
responsabilidade do Governo do Estado, o projeto do monotrilho foi
orçado em R$ 1,4 bilhão para a Copa 2014. Questionada pelo MPF, foi
suspenso pela Justiça, que afirmou haver indícios de vícios legais no
projeto básico e na licitação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário