(portal Acrítica)
Pensadores do Amazonas receberam com preocupação a proposta do governo e prometem lutar contra a efetivação
A proposta do governador José Melo de transformar a Secretaria de
Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) em um mero departamento, atrelado
a outra pasta, causou grande comoção na comunidade acadêmica e
científica do Estado.
As
mudanças anunciadas pelo governador José Melo (Pros) na reforma
administrativa, entre elas a que acabou com o status de secretaria de
Estado da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), não foi bem
recebida pela comunidade científica.
A
prova disso é que a comunidade acadêmica já iniciou mobilização
contrária ao governo, inclusive com a organização de site - “O valor da
ciência” (www.ovalordaciencia.com.br) -, criado na sexta-feira (27),
dois dias após o governador anunciar a medida taxada por muitos, como é o
caso do ex-titular da pasta, Odenildo Sena, de “desatino”.
No
site, há um breve resumo de como a Secretaria de Estado de Ciência,
Tecnologia e Inovação vem sendo tratada na reforma administrativa do
Governo do Estado, além do total de assinaturas que já foram colhidas
(902 assinaturas até às 17h deste domingo), depoimentos de
personalidades da área sobre a medida governista, e ainda o local para
deixar a assinatura em apoio a carta aberta de autoria do físico e
presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
(SBPC), Ennio Candotti, que sugere ao governador repensar sua decisão.
Um
dos idealizadores da página, o empresário Raoni Andrade, 24, é de um
município do interior de São Paulo, Hortolândia, e mesmo distante 2.594
quilômetros do Amazonas se disse inquieto com a decisão do governador
José Melo. “Na minha opinião, independente de estado ou região, temos
que nos unir para o bem comum. Li sobre a extinção da SECTI-AM na
Internet e fiquei sabendo da carta dos pesquisadores, de autoria do
professor Ennio (Candotti), e através dessa atitude resolvi apoiar o
movimento criando o sistema de coleta de assinaturas via site”, disse
Raoni.
Paralelo à coleta de
assinaturas no site, nesta terça-feira (3), às 10h30, será realizada uma
audiência pública no auditório Cônego Azevedo na Assembleia Legislativa
do Estado (ALE-AM) sobre a Reforma Administrativa do Governo do Estado,
em especial, para discutir a extinção da Secti e sua incorporação à
Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan).
A
audiência pública é de iniciativa dos deputados de oposição José
Ricardo (PT) e Luiz Castro (PPS), que após reunião com servidores da
Secti e do Movimento Ficha Verde, decidiram ampliar a discussão.
Para
José Ricardo, que é membro da Comissão de Ciência e Tecnologia da
Assembleia Legislativa, a extinção da SECTI é um “grande retrocesso”. Já
Luiz Castro, que é presidente da Comissão de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Regional da Aleam (Caama) afirma que “o fim da SECTI
fere o bom senso e é extremamente prejudicial ao desenvolvimento
sustentável do Amazonas”.
O
ex-titular da SECTI e doutor em linguística, Odenildo Sena, é um dos
nomes já confirmados para a audiência pública. “Estarei lá. É meu dever,
pois a luta precisa ser grande”, falou Sena, que em artigo publicado na
quinta-feira (26), no site do Conselho Nacional de Secretários
Estaduais de CT&I (Consecti) disse que “nada mais nocivo na vida
pública do que um homem público sem espírito público”.
O
projeto da reforma chegou a ALE-AM na quinta-feira (26), e deve ser
analisado e aprovado pelos deputados até 11 de março. O presidente da
ALE-AM, deputado Josué Neto (PSD), disse que nesse todas as comissões da
Casa vão funcionar para analisar o texto. Segundo Josué Neto, o projeto
não será analisado em regime de urgência e “será aprovado por
unanimidade ou por maioria”.
Essencial
Responsável
por capitanear a assinatura de 37 pesquisadores para a carta aberta na
qual defende a manutenção da Secretaria de Estado de Ciência,
Tecnologia e Inovação (Secti), o físico e presidente de honra da
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ennio Candotti,
sustenta que há “uma regra de ouro que convém lembrar nestes momentos
de transição política”.
“Os
investimentos em CT &I têm períodos de maturação longos, de dez anos
em média, maiores do que os ciclos políticos de quatro anos. A Secti é
essencial. O bom senso sugere que, na condução da política de C&T,
se evitem sobressaltos e descontinuidades. Tudo o que foi semeado ao
longo de anos pode ser perdido, em poucos segundos, com uma assinatura.
Os danos demorarão 10 anos para serem recuperados. Secti ou não Secti,
eis a questão”, disse.
"Ou
a comunidade científica e estudantil vai à luta para defender a SECTI e
o Sistema Público Estadual de CT&I como patrimônio do Estado ou
veste luto e aguarda o retrocesso ser consumado. A justificativa
corrente de extinção da SECTI com o propósito de enfrentar a crise
econômica e reduzir despesas soa como flagrante contrassenso. Analisando
o desempenho em 2014 da Secretaria de Ciência e Tecnologia, sua atuação
direta ou por interveniência técnica conseguiu captar R$ 37,4 mi para o
Amazonas de recursos federais. Números que representam algo em torno de
oito vezes mais do que o seu reduzido orçamento que é da ordem de R$
4,7 mi", afirmou Odenildo Sena.
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