(site do ALEAM )
A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) ficou
pequena para o ato público contra a pedofilia no Amazonas, liderado pelo
deputado estadual Luiz Castro (PPS), o Comitê estadual de enfrentamento
a violência contra crianças e adolescentes e o Movimento Nacional de
Direitos Humanos. Cerca de 600 pessoas e dezenas de representantes de
variadas instituições participaram da reunião, realizada quinta-feira
(6), no auditório Belarmino Lins.
Luiz Castro iniciou os trabalhos falando da necessidade de integrar
os amazonenses à luta contra a pedofilia no Estado, especialmente nos
casos de exploração sexual em Coari. O prefeito da cidade, Adail
Pinheiro, é acusado de chefiar uma rede de prostituição e abuso de
menores naquele município.“Estamos desde 2008 na luta pelas crianças e adolescentes de Coari. Hoje, não estamos mais sozinhos: temos o apoio da sociedade organizada e de 18 deputados estaduais, que assinaram pela criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da exploração sexual de menores no Amazonas, na Aleam”, assinalou Luiz Castro.
A procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho no Amazonas, Alzira Melo, firmou um compromisso junto às vítimas de exploração sexual que denunciaram o esquema de pedofilia em Coari. “Iremos atuar na indenização de todas as vítimas, independente do fim das investigações”.
Casa de Vidro
O representante do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Renato Souto, afirmou que o ato público está marcado como ‘o dia em que a democracia está funcionando’. Em seu discurso, ele explicou como acontecem os abusos sexuais em Coari: incialmente as crianças são escolhidas por meio de fotos, enviadas a Adail Pinheiro.
“O prefeito escolhia as meninas e o grupo as levava para uma residência, chamada Casa de Vidro. Lá, as crianças eram dopadas e drogadas, e então faziam um círculo e Adail indicava sua vítima daquela noite”, revelou Souto. Atualmente, 13 famílias estão sob o regime de proteção às testemunhas.
Durante o ato público, Renato Souto entregou a Luiz Castro a bandeira do Movimento Nacional, ato que representou o apoio da Coordenação dos Direitos Humanos – com mais de 480 filiadas instituições filiadas em todo o Brasil e mais 47 entidades mundiais – à luta contra a pedofilia no Amazonas, liderada pelo deputado.
Alberto Jorge, líder do Movimento Afro-brasileiro no Amazonas, elogiou Luiz Castro pela luta contínua, ‘mesmo que sozinha por tanto tempo’. Em seu discurso, que é urgente e necessária a prisão preventiva de Adail Pinheiro.
O deputado também salientou o trabalho de Joel Rocha, cidadão coariense que, durante sete meses do ano passado, acampou em frente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo era de chamar a atenção do órgão público para o início do julgamento do político Adail Pinheiro com base na lei da Ficha Limpa. Rocha questionou: “Até quando este matador de sonhos e tirador de dignidade vai continuar no comando do município? Este homem precisa parar de envergonhar toda a nação”.
Estiveram presentes no ato público os deputados estaduais Conceição Sampaio, Tony Medeiros, Marcelo Ramos, José Ricardo, Abdala Fraxe e Sinésio Campos, além dos deputados federais Rebecca Garcia (PP) e Henrique Oliveira.
Representantes da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus); da Criança Cidadã; Ray Santos, da Pastoral da Criança; Lilian Lúcia, da Pastoral do Menor; Nelson Peixoto, do SOS Amazonas; O Conselho Estadual de Crianças e Adolescentes; Walter Calheiros, do Conselho Tutelar do Careiro da Várzea; Fórum Estadual de Assistência Social; Conselho Regional de Psicologia; Associação de moradores do Morro da Liberdade; a Grande Loja Maçônica; Amigos do Bairro da Paz, Frei Celso Caldas, da equipe grito pela vida e da Campanha da Fraternidade.
CPI da Pedofilia
Na manhã desta quinta-feira, 19 parlamentares apoiaram oficialmente o pedido de CPI da Pedofilia, de autoria de Luiz Castro. O deputado entrará com o requerimento junto à Mesa Diretora da Assembleia na próxima terça-feira (11) e aguardará o deferimento do presidente da Aleam, Josué Neto.
Os deputados que assinaram foram José Ricardo (PT), Marcelo Ramos (PSB), Chico Preto (PMN), Conceição Sampaio (PP), Adjuto Afonso (PP), Tony Medeiros(PSL), Cabo Maciel (PR), Ricardo Nicolau (PSD), Marcos Rotta (PMDB), Vicente Lopes (PMDB), Abdala Fraxe (PTN), Washington Régis (PMDB), Fausto Souza (PSD), Sidney Leite (Pros), Orlando Cidade (PTN), Sinésio Campos (PT) e Josué Neto (PSD).
Os parlamentares que não assinaram, até esta quinta-feira, foram Belarmino Lins (PMDB), David Almeida (PSD), Francisco Souza (PSC), Wilson Lisboa (PCdoB) e Vera Castelo Branco (PTB).
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